Após mais de cinco anos afastado de disputas eleitorais, Arthur Virgílio Neto (MDB) voltou ao cenário político como pré-candidato a deputado federal pelo Amazonas. Em entrevista exclusiva ao Em Tempo, o ex-prefeito de Manaus afirmou que pretende retornar ao Congresso Nacional para defender os interesses do estado e fortalecer uma de suas principais bandeiras: a Zona Franca de Manaus (ZFM).

Diplomata de carreira, Arthur foi prefeito de Manaus por três mandatos. Também exerceu os cargos de deputado federal, senador pelo Amazonas e ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Retorno à política tem motivação vocacional

Segundo Arthur, a decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados está ligada à sua trajetória na vida pública.

Ele relatou que iniciou sua atuação política ainda na juventude, em um grêmio estudantil, quando passou a fazer oposição ao governo de Chagas Freitas. Agora, afirma que deseja continuar atuando em defesa do Amazonas.

“É uma questão muito vocacional. Sinto que não entrei à toa. São 47 anos de vida pública. É vocação. É vontade de servir, de defender o Amazonas, a ZFM, e para defender a ZFM é preciso muito mais do que dizer que gosta dela. É preciso juntar força no Congresso, conseguir a adesão das pessoas e ter credibilidade. As pessoas têm que respeitar você. Estou aqui para cumprir esse papel mais uma vez”, disse o pré-candidato.

Arthur critica radicalização política

Durante a entrevista, Arthur afirmou que a polarização política tem prejudicado o debate democrático no país.

Segundo ele, a oposição faz parte da democracia, mas o confronto político não deve ser baseado em ataques pessoais ou desrespeito.

“Tem a polarização natural, que é quando você faz um prestígio que torna o candidato forte. É natural que o candidato que perdeu fique na oposição. A democracia precisa de oposição. Mas o que vejo é que essa polarização precisa deixar de ser odienta, precisa deixar os insultos de lado. Sou contra vingança e contra o desrespeito ao adversário”, avaliou.

“Gosto de caminhar pelo centro, pelo equilíbrio. Me sinto no centro porque não tenho cabeça para radicalização. Não radicalizaria nem para a direita nem para a esquerda. Temos que ter coração aberto para fazer bons acordos para o Amazonas”, completou.

Preservação da Amazônia e futuro da Zona Franca

Arthur Neto também destacou a importância da preservação da floresta amazônica e da manutenção do modelo Zona Franca de Manaus.

Para ele, a biodiversidade da região pode contribuir para avanços científicos e gerar oportunidades econômicas sem a necessidade de desmatamento.

“É preciso lutar pela preservação do modelo industrial e também compreender que não é preciso derrubar a floresta, mas aproveitar ao máximo o que ela oferece. Quem sabe a cura do câncer não nasce de uma das folhas da floresta amazônica? Se a ZFM chegasse ao fim, a floresta cairia em seguida e todos perderíamos, inclusive o clima do planeta, que talvez seja a coisa mais importante que o Brasil pode oferecer para o mundo”, afirmou.

BR-319 é defendida como alternativa logística

O pré-candidato também declarou apoio à conclusão da BR-319 como forma de melhorar a logística do Amazonas.

Arthur Neto afirmou que, ao longo da carreira, defendeu a implantação de ferrovias para integrar a região, mas reconheceu que a proposta não avançou.

“Não podemos dispensar a estrada agora. Não deu para aprovar a ferrovia, que eu defendia por ser melhor do que rodovia. Estamos presos aqui, condenados a uma situação de desvantagem financeira. Ainda não compreenderam que somos o estado mais importante do Brasil. Aqui é quase um subcontinente. A nossa posição geográfica é privilegiada. Temos a floresta e influenciamos no clima”, destacou.

Arthur rejeita possibilidade de intervenção dos EUA

Ao comentar declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a classificação das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, Arthur Neto afirmou ser contrário a qualquer tipo de intervenção estrangeira no Brasil.

Segundo ele, a cooperação internacional é válida, mas as decisões relacionadas à segurança pública brasileira devem permanecer sob responsabilidade das autoridades nacionais.

“Donald Trump disse que estava disposto a vir para cá eliminar as facções. Aqui, não. Fique aí mesmo. Cuide do seu país e deixe que esses problemas dos brasileiros aqui. Seria outra situação se fosse uma colaboração, mandando pessoal para proteger os estados, os municípios, os patrimônios e as pessoas. O Brasil manda no Brasil, os EUA mandam nos EUA”, concluiu.

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