A empresária fitness Camila Cristina Andrade, de Roraima, é apontada como amante do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, no centro de um escândalo internacional que abala a cúpula da entidade. Documentos obtidos pela reportagem do Leo Dias revelam que a estadia dela em Nova York, hospedada em uma reserva diretamente vinculada ao mandatário, faz parte de um esquema sistêmico de uso do dinheiro do futebol brasileiro para bancar acompanhantes. A “farra das viagens” de luxo na instituição já acumula um prejuízo estimado em R$ 1 milhão.

O caso de Camila em solo americano, contudo, está longe de ser um episódio isolado. Meses antes, o dinheiro da CBF já havia financiado o roteiro luxuoso de outra influenciadora digital e farmacêutica: Tamires Fernandes Barcellos, conhecida nas redes sociais como “Tata Barcellos”.

Roteiro de mimos bancado com dinheiro do futebol em Doha

Em dezembro do ano passado, Tata Barcellos embarcou do Rio de Janeiro rumo ao Oriente Médio para acompanhar a final do Mundial Interclubes entre Flamengo e PSG, em Doha, no Catar. A viagem seguiu o mesmíssimo modus operandi de privilégios que beneficiou a empresária Camila meses depois:

  • Voo internacional: Passagens aéreas emitidas na classe executiva da companhia Emirates;
  • Hospedagem cinco estrelas: Reserva de quatro diárias no luxuoso hotel The Ritz-Carlton Doha, registrada em seu nome completo;
  • Acesso exclusivo: Ingressos para os camarotes e área VIP da grande decisão, onde transitou ao lado de esposas e familiares dos jogadores do elenco do Flamengo.

A fatura da hospedagem no Catar, que alcançou o valor exato de R$ 17.424, foi faturada e paga integralmente com recursos da Confederação Brasileira de Futebol.

Pressão aumenta e rombo acumulado chega a R$ 1 milhão

Fontes internas ligadas à diretoria da CBF confirmam que o uso de verbas institucionais para fins estritamente privados tornou-se um hábito na atual gestão de Samir Xaud. Ao longo de apenas um ano, o dirigente utilizou a estrutura financeira da entidade para transportar e hospedar amigos, parentes e mulheres em eventos esportivos internacionais, incluindo a Copa da Ásia.

Somando os custos com bilhetes aéreos de alto padrão, resorts de luxo e credenciamento de pessoas sem nenhuma função técnica ou oficial na confederação, o rombo já ultrapassou a barreira de R$ 1 milhão. Com a exposição dos nomes de Camila Andrade e Tata Barcellos na imprensa, cresce a pressão de clubes da Série A e de federações estaduais por uma auditoria independente e por uma investigação rigorosa no comitê de ética da CBF.

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