Nesta sexta-feira (19), o Haiti entra em campo para enfrentar o Brasil pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026. No entanto, longe dos gramados, o país caribenho enfrenta uma grave crise humanitária, política e de segurança que preocupa a comunidade internacional.

Recentemente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou o país e classificou a situação como “a crise mais grave do hemisfério ocidental”. Segundo ele, apenas os conflitos no Sudão e nos Territórios Palestinos apresentam cenários mais críticos atualmente.

Gangues dominam regiões do país

Considerado o país mais pobre das Américas, o Haiti sofre há anos com a instabilidade política e o avanço da violência armada.

Atualmente, grupos criminosos controlam áreas estratégicas do território haitiano. Além disso, as gangues promovem assassinatos, sequestros, saques e casos de violência sexual, ampliando o clima de insegurança em diversas regiões.

Como consequência, milhares de famílias convivem diariamente com o medo e enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos.

Milhões dependem de ajuda humanitária

A crise de segurança também agravou a situação humanitária no país. Dados da ONU apontam que cerca de 1,5 milhão de pessoas deixaram suas casas por causa da violência.

Além disso, mais da metade dos 11,7 milhões de habitantes depende de ajuda humanitária para garantir alimentação e assistência básica.

Somente neste ano, a violência já provocou aproximadamente 2,3 mil mortes. Ao mesmo tempo, organismos internacionais registraram aumento nos casos de violência sexual e no recrutamento de crianças por grupos armados.

Segundo a ONU, uma em cada duas pessoas ligadas às gangues é menor de idade.

Impasse político continua

Enquanto a violência avança, o Haiti segue sem eleições nacionais desde 2016. A insegurança e a instabilidade dificultam a realização de um novo processo eleitoral.

A situação se agravou ainda mais após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021. Desde então, autoridades de transição tentam reorganizar as instituições do país, mas enfrentam dificuldades para restabelecer a normalidade.

Diante desse cenário, a seleção haitiana entra em campo para representar um país que vive uma das maiores crises da atualidade. Assim, o confronto contra o Brasil acontece em meio a desafios que vão muito além do futebol.

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