As buscas por Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, entraram no quarto dia neste domingo (4) no Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil, em meio a relatos contraditórios, depoimentos de testemunhas e questionamentos sobre a conduta da amiga que o acompanhava na trilha.

Roberto desapareceu na manhã de quinta-feira (1º), durante a descida da montanha, após passar o réveillon no local ao lado de Thayane Smith, de 19 anos, natural de Manaus (AM), com quem havia se conhecido recentemente em Curitiba. Ela foi a última pessoa a ter contato direto com o jovem antes do sumiço.

Mal-estar durante a subida

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, Roberto e a amiga iniciaram a subida na noite de quarta-feira (31). Durante o trajeto, o rapaz passou mal, apresentou vômitos e sinais de debilidade física, mas ainda assim conseguiu alcançar o cume por volta das 4h da madrugada.

Testemunhas relataram que, mesmo debilitado, Roberto continuou a trilha com apoio de outros montanhistas. Em determinado momento, porém, Thayane teria acelerado o ritmo e seguido sozinha à frente, deixando o jovem para trás.

Montanhistas experientes que integravam o grupo afirmaram ter alertado a amiga sobre o risco de abandonar alguém em condições físicas frágeis em um ambiente hostil como o Pico Paraná. Ainda assim, durante a descida, os dois acabaram se separando.

Alerta no acampamento base

Ao chegar ao acampamento base, Thayane foi encontrada sozinha na barraca e não soube informar onde Roberto estava. Foi nesse momento que outros trilheiros acionaram o Corpo de Bombeiros.

Relatos de briga

Testemunhas ouvidas pela imprensa relataram que houve um desentendimento entre os dois durante a subida, após uma brincadeira feita por Roberto que teria desagradado a amiga. A situação teria gerado irritação e contribuído para a separação na trilha.

Em entrevistas concedidas posteriormente, Thayane confirmou que chegou antes ao acampamento e disse acreditar que Roberto vinha logo atrás. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela afirmou sentir culpa por ter se separado do amigo, reconhecendo que tinha mais experiência em trilhas e que talvez o desfecho pudesse ter sido diferente.

Em outra declaração, no entanto, a jovem disse que seguir sozinha fazia parte de seu “estilo de vida” e que decidiu correr ao encontrar outros corredores na trilha.

Investigação em andamento

A Polícia Civil do Paraná abriu investigação após o registro de boletim de ocorrência feito pela família no sábado (3). O delegado responsável informou que, até o momento, o caso é tratado como desaparecimento, sem indícios claros de crime, mas destacou que todas as versões serão confrontadas.

Familiares apontam lacunas nos relatos e defendem que os depoimentos de quem esteve com Roberto na trilha sejam analisados de forma técnica. Para a irmã do jovem, há pontos que ainda não se encaixam sobre o momento exato da separação e o comportamento dos envolvidos.

Buscas seguem sem previsão de término

As operações de resgate contam com bombeiros, helicópteros, drones com câmera térmica, rapel e apoio de montanhistas voluntários especializados. O Instituto Água e Terra (IAT) interditou temporariamente os principais acessos ao Pico Paraná para não comprometer as buscas.

A família pede que trilheiros experientes, especialmente aqueles que conhecem o Vale do Cacatu e a trilha do Saci, se apresentem como voluntários na base montada pelo Corpo de Bombeiros. Até o momento, Roberto não foi localizado.

(*) Com infomações do Merópoles

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