Pensar o desenvolvimento urbano na Amazônia exige mais do que boas intenções. Exige método, planejamento, capacidade técnica e, sobretudo, sensibilidade social. Estamos falando de um território singular, marcado por grandes distâncias, desafios logísticos permanentes, desigualdades históricas e uma complexa relação entre cidade, floresta e rios.
Nos últimos anos, o Amazonas passou a tratar a política urbana como política de Estado — estruturada, integrada e orientada a resultados concretos na vida das pessoas. Habitação, saneamento, mobilidade, iluminação pública, requalificação ambiental e inclusão social deixaram de ser ações fragmentadas para compor uma agenda única, coordenada e mensurável.
Programas como o Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+) e de Saneamento Integrado (Prosai) – em Maués e Parintins –, Amazonas Meu Lar e Ilumina+, executados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurd) e Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), representam essa mudança de paradigma e são apenas alguns exemplos, dentro das pastas que administro.

Não se trata apenas de construir casas, redes de esgoto ou vias urbanas. Trata-se de reorganizar o espaço urbano, recuperar áreas degradadas, reduzir riscos ambientais, promover dignidade e devolver cidadania a milhares de famílias.
Os números ajudam a dimensionar esse esforço. São dezenas de milhares de unidades habitacionais contratadas ou em execução, sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário chegando a cidades que historicamente conviveram com a precariedade, além da modernização da iluminação pública em todos os municípios do interior do estado, com tecnologia LED, que representa mais segurança e eficiência energética.
No campo do saneamento, avançamos em um dos maiores desafios urbanos do país. Obras que antes pareciam inviáveis em áreas de igarapés, palafitas e zonas alagadas, hoje se tornam realidade com soluções de engenharia adaptadas à realidade amazônica. O impacto é direto na saúde pública, na qualidade ambiental e na valorização urbana.
A política urbana também é, necessariamente, uma política econômica. Cada obra gera empregos, movimenta a cadeia produtiva da construção civil, atrai investimentos e estimula o desenvolvimento local. Mais do que isso: cria condições para que as cidades cresçam de forma ordenada, sustentável e inclusiva.
Nada disso acontece por acaso. Há planejamento, governança, articulação institucional e foco permanente na execução das obras. A coordenação entre diferentes órgãos, o diálogo com os municípios e a busca constante por financiamento nacional e internacional são partes fundamentais dessa engrenagem.

O desafio que se impõe para os próximos anos é dar escala e continuidade a esse modelo. Consolidar o que já foi iniciado, ampliar o alcance das políticas públicas e aprofundar a integração entre desenvolvimento urbano, proteção ambiental e inclusão social.
A Amazônia urbana precisa ser vista, planejada e cuidada. Afinal, é nas cidades onde vive a maior parte da população amazônida. E é nelas que se constrói, todos os dias, o futuro da região.
Planejar, executar e entregar. Esse é o caminho para transformar gestão pública em resultados concretos — e políticas públicas em qualidade de vida para as pessoas.

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