A primeira-dama Janja Silva participou do ensaio técnico da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na noite de sexta-feira, 6, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A agremiação foi a primeira a entrar na avenida com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No local, Janja evitou falar com a imprensa. Ainda assim, posou para fotos com políticos, como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o ex-deputado federal Marcelo Freixo, além de artistas e eleitores do presidente.
Críticas e reações ao enredo
Antes do ensaio, a escola de samba retirou críticas e memes direcionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre eles, havia uma imagem em que Bolsonaro aparecia recluso, com a legenda “rindo igual a um condenado”, em referência à pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Outra imagem o retratava usando máscara, em alusão à pandemia da covid-19, acompanhada da frase “Quanto importa a vida?”, que integra o samba-enredo. A mensagem “Sem mitos falsos” também gerou reação de políticos de direita, como a senadora Damares Alves (PL), que levaram o caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
Presidente da escola é exonerado da Alerj
O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado do cargo de assistente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na quinta-feira, 5. A exoneração foi publicada no Diário Oficial Legislativo e assinada pelo deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), primeiro vice-presidente em exercício da Casa.
Palhares estava lotado desde 2025 na Comissão de Transportes, vinculada ao gabinete do deputado estadual Dionísio Lins (PP). Segundo o Portal da Transparência da Alerj, o salário era de R$ 7.961,34, incluindo rendimento líquido de R$ 2.353,21 e benefícios.
Além da atuação na Alerj e na escola de samba, Palhares é sócio-administrador das empresas WP Consulting e Fino Trato Selo Musical. Em dezembro, ele recebeu o título de “Cidadão Niteroiense”, por indicação do vereador Anderson Pipico (PT).
Partidos acionam órgãos de controle
A escolha do enredo também gerou reação política. O partido Novo acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) e solicitou medida cautelar para impedir o uso de recursos públicos pela Acadêmicos de Niterói.
O partido argumenta que o repasse configuraria desvio de finalidade, por envolver homenagem a um presidente que será candidato à reeleição em 2026. O tribunal recomendou o bloqueio do repasse, e a decisão final ficou a cargo do ministro Aroldo Cedraz.
O governo do Rio de Janeiro é o maior patrocinador do Grupo Especial. Em 29 de janeiro, o Executivo estadual oficializou o repasse de R$ 40 milhões às escolas de samba, distribuídos de forma igual entre as 12 agremiações, além de recursos destinados à operação do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
*Com informações da
