Bastante atuante na causa animal, Joana Darc deve ficar no comando da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet-AM) até abril deste ano. Como deputada estadual pelo Amazonas, o mandato sempre foi pautado pela defesa dos animais, protetores e médicos veterinários, além de proteção às mulheres e à causa de Pessoas com Deficiência (PCD).
Para este ano eleitoral, Joana Darc já possui metas traçadas para o cenário político, onde também já atuou como vereadora por Manaus. Confira a entrevista:.
EM TEMPO – Quais os principais destaques de sua gestão à frente da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet-AM)?
JOANA DARC – Em outubro, fui nomeada secretária titular da Sepet, e o primeiro grande destaque da nossa gestão foi, sem dúvida, a inauguração do Hospital Público Veterinário do Amazonas. Essa unidade representa um avanço histórico para o atendimento veterinário público no estado, garantindo consultas, cirurgias, exames e diversos procedimentos gratuitos. Já são mais de 190 mil atendimentos realizados, beneficiando mais de 20 mil animais em 4 meses de funcionamento. Sob minha coordenação, ampliamos significativamente o projeto Castramóvel, que oferece castração gratuita de cães e gatos para o controle populacional, prevenção de zoonoses e redução do abandono. Entregamos novas unidades e levamos o serviço a dezenas de municípios do interior e bairros da capital, alcançando a marca de mais de 70 mil castrações realizadas ao longo dos anos integrados ao programa. Também participamos ativamente de resgates e da reabilitação de fauna silvestre, incluindo a atuação conjunta no resgate e na devolução à natureza de uma onça-pintada no Rio Negro. A ação foi histórica no Brasil, pois marcou a primeira devolução de um animal da espécie à natureza na Amazônia, reafirmando nosso compromisso com a defesa da fauna silvestre e a preservação ambiental no Amazonas. Durante minha gestão à frente da Sepet, intensificamos as ações de fiscalização, resgate e atendimento relacionados a maus-tratos, com centenas de ocorrências atendidas no interior do estado.
ET – Quais estratégias a senhora implementou para fortalecer o cuidado aos animais no Estado?
JD – Implementamos uma estratégia baseada em três pilares: estruturação da política pública, ampliação do acesso aos serviços e interiorização das ações. Primeiro, trabalhamos na consolidação da Sepet como uma secretaria exclusiva da causa animal, garantindo planejamento, orçamento próprio e organização dos serviços de forma integrada. Em paralelo, ampliamos significativamente a oferta de serviços, com a inauguração do Hospital Público Veterinário do Amazonas. Também fortalecemos e expandimos o projeto Castramóvel, levando castração, vacinação e atendimento veterinário para bairros da capital e municípios do interior. Outra estratégia fundamental foi a interiorização das ações. Não concentramos os serviços apenas em Manaus, mas levamos atendimento para quem mais precisa, incluindo comunidades mais afastadas.
ET – A senhora possui uma longa trajetória na causa animal. De que maneira essa vasta experiência a ajuda no atual cargo?
JD – Eu comecei na causa animal como uma ativista que sonhava em ver os animais sendo respeitados na sociedade, com leis que realmente protegessem a fauna silvestre e doméstica. Naquela época, falar sobre direitos dos animais era visto por muitos como algo menor, até risível, tanto dentro quanto fora da política. Essa trajetória me deu algo que considero fundamental para o cargo que ocupo hoje: vivência prática. Eu conheço a realidade de quem está na ponta, dos protetores independentes, das ONGs, pois fui fundadora da ONG PATA, conheço a realidade das famílias que muitas vezes não têm condições de pagar por um atendimento veterinário, mas querem cuidar dos seus animais. Além disso, minha experiência como médica veterinária me permite unir sensibilidade à parte técnica. Não atuo apenas com o coração, mas com conhecimento científico e planejamento. Hoje, estar à frente da Secretaria de Estado de Proteção Animal é a continuidade de uma luta que começou muito antes do cargo. Agora temos estrutura, orçamento e poder de execução para transformar esse sonho em políticas públicas concretas para todo o Amazonas.
ET – Como a senhora atua para incentivar os cuidados aos PETs no Amazonas?
JD – Eu atuo incentivando esse cuidado por meio de políticas públicas que garantem acesso, informação e responsabilidade. Entendo que muitas famílias amam seus animais, mas nem sempre têm condições financeiras de arcar com consultas, exames ou cirurgias, que são caras em uma clínica particular. Por isso, ampliamos serviços gratuitos, como o HPVet-AM, dos Castramóveis, da vacinação viral para cães e gatos, e atendimento clínico para a capital e o interior. Também incentivo fortemente por meio das campanhas de conscientização sobre guarda responsável, prevenção de zoonoses, importância da castração e combate aos maus-tratos. Cuidar dos pets não é apenas uma questão de afeto, é também saúde pública. Meu compromisso é garantir que o Amazonas avance cada vez mais na construção de uma cultura de respeito, proteção e cuidado com os nossos animais.

ET – Falando do cenário político, quais as suas principais metas para este ano?
JD – No cenário político, minha principal meta para este ano é a reeleição, para que eu possa dar continuidade às políticas públicas que vêm transformando a realidade da causa animal no Amazonas. Ainda temos muitos projetos a consolidar e ampliar, especialmente na interiorização dos serviços e no fortalecimento da estrutura já existente. Também quero avançar ainda mais na defesa da Pessoa com Deficiência, uma pauta com a qual tenho uma identificação pessoal e profunda. Sou mãe atípica do Joaquim, que tem síndrome de Down, e essa vivência me dá ainda mais responsabilidade e sensibilidade para lutar por inclusão, acessibilidade e respeito. A meta é seguir trabalhando com propósito, ampliando direitos e garantindo que as políticas públicas cheguem a quem realmente precisa.
ET – Quais os principais legados dos seus mandatos como deputada estadual?
JD – Ao longo dos meus mandatos como deputada estadual, construí um legado pautado na transformação de causas em políticas públicas concretas. Na causa animal, fui autora de leis de proteção e bem-estar, como a criação do Código de Bem-estar Animal do Amazonas, fortaleci o combate aos maus-tratos. Esse trabalho culminou, inclusive, na criação da Secretaria de Estado de Proteção Animal, consolidando a pauta como política permanente de governo e, com isso, a inauguração do HPVet-AM. Também atuei fortemente na defesa das pessoas com deficiência, ampliando direitos, cobrando acessibilidade e garantindo mais inclusão nos serviços públicos. Destaco, nesse contexto, a criação da CIPTEA, a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, um instrumento fundamental para assegurar atendimento prioritário e mais dignidade às pessoas com TEA e suas famílias. Na pauta das mulheres, apresentei e apoiei medidas de enfrentamento à violência, combate ao assédio e fortalecimento da rede de proteção no Amazonas.
ET – E para o interior, quais foram as propostas mais relevantes?
JD – Para o interior, sempre tive a preocupação de garantir que as políticas públicas não ficassem concentradas apenas na capital. Trabalhei para interiorizar ações, especialmente na causa animal, levando os serviços dos castramóveis e ampliando o acesso a atendimentos veterinários em diversos municípios. Fiz questão de articular todas as idas dos Castramóveis para o interior do Amazonas. Inclusive, fizemos a inauguração de uma nova unidade em Presidente Figueiredo, para atender um município que precisa deste serviço e, em breve, teremos uma nova unidade em Itacoatiara. Uma proposta que já apresentei e vou defender até o fim é o Castramóvel Fluvial, porque, no Amazonas, os rios são as nossas verdadeiras estradas.
ET – Qual sua avaliação do atual sistema político, especialmente neste ano eleitoral?
JD – O sistema político vive um momento desafiador, pois o debate precisa ser responsável e baseado em propostas concretas. Infelizmente, ainda vemos muita desinformação e ataques pessoais que tentam desviar o foco do que realmente importa. No meu caso, inclusive, há ataques à causa animal, que sempre defendi com seriedade. Mas sigo firme, porque sei que nosso trabalho é baseado em resultados, políticas públicas estruturadas e impacto real na vida das pessoas e dos animais. Mas há um avanço na fiscalização social, inclusive por meio das redes sociais. Isso fortalece a democracia.
ET – Da sua parte, há pretensões políticas para este ano? Quais? A senhora pretende se candidatar a algum cargo?
JD – Sim, sou pré-candidata à reeleição este ano. Minha intenção é dar continuidade ao trabalho que venho desenvolvendo, especialmente na defesa da causa animal, das pessoas com deficiência, das mulheres e das pautas sociais que sempre fizeram parte da minha trajetória. Acredito que ainda há muitos projetos importantes em andamento e novas propostas que precisam sair do papel. A reeleição representa a oportunidade de consolidar políticas públicas que já estão dando resultado e ampliar ainda mais as ações que impactam diretamente a vida da população amazonense. Meu compromisso é continuar trabalhando com firmeza e sensibilidade, sempre ouvindo a população e defendendo aquilo em que acredito.
