“Ele veio morar entre nós”! (Jo1,14). Fez do ventre de Maria, da nossa humanidade, das nossas famílias, das nossas comunidades, da nossa terra, a sua morada. Entre nós anunciou e construiu a fraternidade: todos irmãos e irmãs!
Jesus veio e nos fez fraternidade, oferece a possibilidade de sermos fraternidade, entrar na dinâmica do Reino de Deus. Com sua vida, morte e ressurreição se fez anúncio e plenificação do Reino de Deus. Caminhamos ao encontro da Quaresma, o tempo de deixarmo-nos tomar pelo movimento do Reino: fraternidade.
A Quaresma nos provoca e convoca à conversão, mudança de vida: cultivar o caminho do seguimento de Jesus Cristo. Os exercícios quaresmais que a Igreja propõe aos católicos são: jejum, esmola e oração.
Três exercícios para a maturação da fé: o jejum como esvaziamento, expropriação, libertação, para que sejamos um só em Cristo (Gl 3,28) e Cristo seja formado em nós (Gl 4,19); a esmola: nascer da alegria de termos encontrado o tesouro escondido, a pérola preciosa (Mt 13,44-46) e, por isso, se faz fé partilhada, proximidade, irmandade; e a oração: tocados pelo dom do anúncio, apercebidos da valiosa experiência do cuidado amoroso e misericordioso de Deus em Jesus Cristo, recebemos silêncio e palavras para agradecer e suplicar.
Uma espécie de exposição ao dom recebido na tentativa de ser atingidos com maior intensidade pelo amor e pela misericórdia.
No caminho de conversão pessoal comunitário, social e ecológico, advém a possibilidade da percepção da salvação, da redenção. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, apresenta para o caminho quaresmal uma realidade a ser refletida, discutida, rezada.
“Fraternidade e moradia” é o tema deste ano. O Evangelho de João inspira o lema: “Ele veio morar entre nós” (1,14). A Campanha tem como objetivo geral “Promover, a partir da Boa Nova do reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal. A moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população”.
Construir a fraternidade promovendo a moradia que é de justiça e dignidade, à luz da Palavra de Deus. Analisar e refletir a realidade da moradia precária que segrega muitas pessoas em nossas cidades, identificando a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos. No tempo de conversão, ao refletirmos a necessidade e a dignidade da moradia, propor e viabilizar políticas públicas de moradia nas nossas cidades, com espaços de lazer, esporte, educação e cultura.
“Nós vos suplicamos: dai-nos a graça da conversão, para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna, como terra, teto e trabalho para todas as pessoas, a fim de, um dia, habitarmos convosco a casa do Céu. Amém!”

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