“A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano” (Papa Leão XIV, Quaresma/2026).
Recolocar o mistério do amor de Deus como centro da vida e, assim, cada um permaneça, nas inquietações e distrações da cotidianidade, fiel no Amor. É o que nos ensina o Santo Padre para o tempo precioso da Quaresma. Como possibilidade da permanência e da maturação no Amor, ele indica dois caminhos em um: juntos escutar e juntos jejuar. Por serem recebidos na dinâmica amorosa, os católicos são convidados a uma escuta benevolente e a um jejum cordial em comunidade, ou comunidade que junta escuta e jejua na atinência do Amor.
Escuta da Palavra. Uma escuta com docilidade que possibilita o encontro no espírito confortador e iluminador. Confortador e iluminador que suscita uma mudança, possibilita um caminho mais livre e liberto.
Escutar o clamor dos necessitados e oferecer uma história de libertação. Um Deus que escuta e, por isso nos envolve, vem até nós e pela Palavra faz vibrar o coração.
“Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de receptividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e econômicos e, sobretudo, a Igreja” (Mensagem, Dilexi te, 9).
Jejum desperta para uma necessidade receptiva. O jejum que pode despertar fome, “constitui uma prática concreta que nos dispõe a acolher a Palavra de Deus. Uma receptividade, uma fome de Deus. Papa Leão afirma que o jejum é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a, a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo (cf. Mensagem).
O jejum para esta Quaresma, o Santo Padre oferece a “abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender às calúnias”.
Jejum de palavras poderia significar palavras cordiais, amáveis, consoladoras, fraternas. Palavras que não são demais, nem de menos. Aquelas que brotam do jejum, do silêncio que gera palavras. “Medir as palavras e cultivar a gentileza” na comunidade, na família, nos meios de comunicação, nos Whatsapp, nas mensagens enviadas. Cultivo da gentileza que preza a palavra boa, cordial, urbana, esperançada, pacífica, superando assim as palavras agressivas, distorcidas, caluniosas, de ódio: jejum, de palavras; palavra jejuada, aquietada.
Uma comunidade que segue o caminho da salvação que a Quaresma indica: na oração, no jejum e na esmola, juntos a caminho.

Leia mais:
