No Amazonas, a gravidez na adolescência continua sendo um desafio para a saúde pública. Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), foram registrados 64.847 partos em 2025, sendo 20,83% (13.513) de mães entre 10 e 19 anos.
No interior do estado, os índices também chamam atenção. Por isso, a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara e de Manacapuru desenvolveu projetos de prevenção e conscientização sobre gravidez na adolescência, voltados a escolas e comunidades rurais.
Ações em Itacoatiara e Manacapuru
Em Itacoatiara, a FVS-RCP registrou 1.578 partos em 2025, com 22,56% (356) de adolescentes. Já em Manacapuru, foram 1.741 partos, sendo 21,19% (369) de meninas nessa faixa etária.
De acordo com a diretora da Afya de Itacoatiara, Soraia Tatikawa, as ações da instituição incluem palestras, rodas de conversa e distribuição de cartilhas educativas. “Nosso foco é ampliar o acesso à informação, promover diálogo sobre sexualidade e direitos reprodutivos”, explica.
Projeto comunitário em Itacoatiara
O projeto, coordenado pela professora Francenilda Gualberto, ocorreu na Comunidade São Francisco do Jamanã, área rural. Os alunos de Medicina percorreram a comunidade de casa em casa, convidando adolescentes de 9 a 16 anos para participarem das palestras e receberem cartilhas educativas.
Segundo Francenilda, o projeto visa enfrentar a falta de informação sobre saúde entre adolescentes da zona rural. “Ainda falta sensibilização sobre esse tema, sobretudo no interior. Na capital, a pauta é mais recorrente, mas no interior ainda existe muito tabu. Precisamos trazer essa questão para o dia a dia das escolas”, afirma.
Ações em Manacapuru
Em Manacapuru, o projeto aconteceu na Escola Estadual José Seffair, coordenado pela professora Nadielle Castro. A diretora geral da Afya, Karen Ribeiro, destaca que oito alunos de Medicina ministraram palestras para meninos e meninas de 14 a 16 anos.
Nadielle Castro reforça a importância da informação: “Realizamos palestras, rodas de conversa e usamos uma caixa de perguntas anônimas, porque muitos alunos têm dúvidas, mas sentem vergonha de questionar. Também levamos peças anatômicas para demonstrar o uso correto do preservativo e orientamos onde encontrar contraceptivos de forma gratuita.”
Educação como ferramenta de prevenção
A ação envolveu cerca de 40 adolescentes, abordando os riscos físicos, psicológicos e sociais da gravidez precoce. “A educação é fundamental na prevenção da gravidez precoce e na garantia do direito à educação, especialmente para meninas. Uma pesquisa do Fundo de População das Nações Unidas aponta que a gravidez na adolescência é a segunda maior causa de abandono escolar na América Latina. Por isso, é essencial estarmos próximos das comunidades, promovendo informação, escuta e acolhimento”, reforça Nadielle Castro.
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