Manaus (AM) – Marco Antônio Oliveira, de 24 anos, conciliava os estudos universitários com o trabalho e a atuação como professor comunitário. Natural de Itacoatiara, ele cursava o 4º ano da graduação, trabalhava como auxiliar de apoio em uma faculdade particular e dava aulas particulares para moradores da comunidade para complementar a renda. Os familiares descrevem o jovem como dedicado, trabalhador e estudioso. Por isso, contestam a versão divulgada pelos criminosos que o executaram com extrema violência.

Criminosos abandonaram o corpo esquartejado do jovem dentro de uma mala em uma ribanceira no Ramal do Ipiranga, na Zona Leste de Manaus. Moradores localizaram a vítima na segunda-feira (8).

Após o crime, a família decidiu quebrar o silêncio. Em entrevista a um portal de Itacoatiara, parentes afirmaram que criminosos atraíram Marco Antônio para uma emboscada, conhecida como “casinha”. Segundo eles, o grupo manteve o estudante em cativeiro e o dopou para forçar uma falsa confissão de abuso sexual. Dessa forma, os suspeitos tentariam justificar a execução.

Vídeo sob coação e revolta com linchamento virtual

Logo após a descoberta do corpo, um vídeo começou a circular em aplicativos de mensagens. Nas imagens, o jovem aparece admitindo supostos crimes. No entanto, a família rejeita o conteúdo e critica o linchamento virtual promovido por páginas e portais que compartilharam o material sem apuração.

Para reforçar a inocência do irmão, um familiar destacou a trajetória acadêmica e profissional de Marco Antônio.

“Ele não é ‘jack’ [gíria para estuprador] não. Quatro anos de faculdade, já estava quase terminando. Ele é muito inteligente, tinha uma bolsa de faculdade. Dava aula para o pessoal todinho, todo final do mês ganhava o dinheiro dele. Mas ‘jack’ ele nunca foi. Fizeram uma ‘casinha’ para ele em Manaus”, desabafou.

Nas redes sociais, Marco Antônio mencionava a graduação em Psicologia e demonstrava interesse pela cultura axé. Além disso, mantinha em destaque o nome de uma pessoa acompanhado de um coração, indicando um vínculo afetivo.

Cárcere privado e dopagem

As investigações preliminares indicam que os criminosos capturaram Marco Antônio ainda no sábado. Depois disso, mantiveram o estudante em cárcere privado para gravar o vídeo sob forte coação. Em seguida, executaram o jovem e descartaram o corpo na ribanceira.

Parentes que assistiram às imagens afirmam que a fala não parecia espontânea. Além disso, acreditam que os agressores doparam a vítima antes da gravação.

“Dá para ver no vídeo que são uns ‘curumins’ falando. Acho que botaram droga para ele ficar doidão. Tem que ter provas para acusar alguém assim. Minha família está ouvindo tudo isso em portal, mas não é verdade”, afirmou outro familiar.

Polícia investiga execução e crime digital

A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) conduz as investigações. Os policiais apuram os crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Além disso, autoridades reforçam que confissões obtidas mediante tortura, ameaça ou grave coação não possuem validade jurídica.

Agora, a investigação segue em duas frentes. Primeiro, a polícia busca identificar e prender os autores do assassinato. Paralelamente, os agentes tentam localizar os responsáveis pelo sequestro, pela gravação e pelo compartilhamento em massa do vídeo.

Por fim, a família pede que a população evite julgamentos precipitados e aguarde os resultados dos exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML).

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