O mercado imobiliário de Manaus encerrou 2025 com R$ 3,168 bilhões em vendas de imóveis novos. O volume inclui segmentos vertical, horizontal e comercial. O resultado representa crescimento de 24,2% em relação a 2024, quando o setor movimentou R$ 2,55 bilhões. Em um ano, portanto, o mercado ampliou em R$ 618 milhões o total negociado.

Os dados constam no estudo Panorama do Mercado Imobiliário, realizado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM).

Quarto trimestre impulsiona resultado anual

O levantamento mostra que o quarto trimestre foi decisivo para o desempenho do ano. Entre outubro e dezembro, o mercado movimentou R$ 665 milhões em vendas. Desse total, R$ 506 milhões vieram do segmento horizontal, que liderou o avanço no período.

O diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM, Paulo Avelino, afirma que o setor superou as expectativas. “A gente estava otimista, mas, de fato, é um número que nos surpreendeu. O crescimento de 24% é muito forte e ele é muito puxado pelo Minha Casa, Minha Vida”, declarou.

Minha Casa Minha Vida lidera lançamentos

Segundo o estudo, 90,8% dos lançamentos no quarto trimestre foram enquadrados no Minha Casa Minha Vida, enquanto 9,2% corresponderam ao médio padrão. O dado confirma a predominância do segmento econômico no desempenho do mercado local.

Mesmo diante de cenário macroeconômico com juros elevados, o setor manteve o ritmo de crescimento. “Olhando os anos anteriores, a gente vê o quanto está crescendo o mercado imobiliário para o Brasil, isso num ano com uma taxa de juros ainda muito alta, de 15%. A gente tem uma tendência de redução dessa taxa de juros e entendemos que isso vai melhorar ainda mais os números do mercado”, destacou Avelino.

Expansão alcança novas áreas da cidade

A expansão imobiliária também alterou o mapa urbano da capital. No quarto trimestre, o bairro Lago Azul concentrou 37% dos lançamentos, seguido por Tarumã Sul, com 18,5%. Novo Aleixo e Parque Mosaico 2 registraram 14,1% cada.

No ranking de vendas, Tarumã liderou com 15,3%, seguido por Lago Azul, com 14,1%, e Distrito Industrial 2, com 13,4%.

Para o diretor da Ademi-AM, o crescimento dessas regiões exige planejamento urbano. “A gente tem bairros como o Parque Mosaico, o próprio Tarumã, a Ponta Negra, que vêm crescendo bastante. A gente espera que haja um alinhamento junto com o poder público para que possa fornecer os serviços básicos para essas pessoas que vão morar na nova região”, afirmou.

Setor projeta crescimento moderado em 2026

Apesar do desempenho em 2025, o setor projeta avanço mais moderado em 2026, estimado em 5%. O cenário eleitoral e o ambiente econômico influenciam a previsão.

“É um ano que representa um pouco mais de dificuldade para o mercado, e a gente também tem um viés de redução da taxa de juros. Hoje está em 15%, a gente espera que acabe o ano na faixa de 12%, e isso vai nos ajudar a acelerar as vendas”, ressaltou.

Escassez de mão de obra preocupa construção civil

Outro ponto de atenção é a falta de trabalhadores na construção civil. “A gente está bem preocupado frente ao crescimento que estamos tendo. A gente tem conseguido bons resultados em relação à venda, ao lançamento, mas obviamente que precisamos construir tudo isso. A mão-de-obra hoje, em Manaus, está escassa. É um tema recorrente nas nossas reuniões, a gente tenta buscar soluções para isso”, destacou Avelino.

Com crescimento em 2025 e expectativa de continuidade, ainda que em ritmo menor, o mercado imobiliário de Manaus mantém impacto direto na geração de empregos, nos investimentos e na expansão urbana da capital.

(*) Com informações da assessoria