As mulheres estão presentes nas mais diversas áreas de atuação profissional. Da engenharia civil aos atendimentos de saúde masculina, passando por operações de resgate e segurança pública, elas ampliam a participação no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, mostram que competência e capacidade profissional não têm gênero.
Liderança feminina na engenharia civil
A engenheira civil Larisse Melo lidera diariamente equipes formadas por homens e mulheres em canteiros de obras. Ela coordena projetos de edificações de empresas e residências e afirma que o exercício da profissão exige preparo constante.
Segundo Larisse, a sensibilidade feminina pode contribuir para a gestão das equipes e para o desenvolvimento dos projetos.
“Não é só colocar um capacete. É saber liderar com delicadeza que só a mulher tem”, disse.
A escolha da profissão surgiu de forma natural, sem interferência familiar. No início da carreira, porém, a engenheira enfrentou resistência ao chegar aos canteiros de obras.
“Quando a equipe conhece a competência e o resultado da entrega, logo isso vira respeito. A maior resistência era em decorrência de crenças limitantes, porque a construção civil ainda é dominada pela figura masculina”, contou.

Ainda assim, ela observa mudanças no setor.
“Temos visto um crescimento significativo de mulheres nessa área e inclusive temos uma equipe de mulheres. Engenheiras, eletricistas, apontadoras, rejuntadoras, mulheres que são serventes de obras e que querem aprender a ser pedreiras”, completou.
Olhar feminino nas operações de resgate
A soldado Paula Bianca Queiroz, integrante do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas (CBMAM), afirma que a presença feminina nas ocorrências de segurança contribui para ampliar a qualidade do atendimento à população.
Segundo ela, o olhar feminino pode tornar o trabalho mais atento e detalhado.

“O olhar feminino é naturalmente mais atento e mais cuidadoso. Isso completa e facilita o trabalho, deixando mais dinâmico. É um olhar necessário.”
De acordo com Paula, as exigências da profissão são iguais para homens e mulheres. Por isso, o treinamento exige preparo físico e psicológico.
“Essa adequação é um desafio. Como combatente do bombeiro militar, o que é exigido de uma mulher é o mesmo que é exigido do homem. Isso exige muita força física, característica predominantemente masculina. Precisamos ter resistência à alta carga emocional, corporal, sensorial e física. Recebemos treinamento para isso”, explicou.
Mulheres no cuidado da saúde masculina
A urologista Gabriela Owada Borges foi a única acadêmica de sua turma a seguir na área de saúde masculina. Graduada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ela afirma que a escolha foi pessoal.
Segundo Gabriela, a entrada na profissão ocorreu de forma tranquila e sem discriminação por parte dos pacientes. Ainda assim, ela relembra uma situação inusitada.
“Não enfrentei preconceito. Mas teve uma situação que foi engraçada. Um padre chegou ao consultório e, ao ver que seria atendido por uma mulher, ficou constrangido. Eu compreendi porque envolvia a questão do celibato. Conversei com ele e ele ficou receptivo, se sentiu bem assistido. Hoje, quando ele precisa de procedimentos volta comigo”, contou.

A médica incentiva outras mulheres a investirem em seus objetivos profissionais.
“Se você tiver um sonho, corra atrás. Não existe nada impossível se você tiver consciência da capacidade de transformar o mundo em que estamos. Precisamos acreditar no potencial que está dentro de nós. Estamos em 2026 e conseguimos sim sermos as primeiras a fazer alguma coisa”, afirmou.
Referências femininas inspiram novas gerações
Para a antropóloga e pró-reitora de extensão da Ufam, Flávia Melo, a presença de mulheres em diferentes profissões contribui para mudar percepções sociais e ampliar referências para jovens.
“As escolhas que fazemos ao longo da vida são influenciadas pelo que vemos no mundo. Nos inspiramos em pessoas. Ver as mulheres nos variados campos profissionais ajuda as crianças e as jovens a reconhecerem que elas podem estar em todos os lugares”, explicou.
Ela destaca que homens e mulheres possuem potencial semelhante para desempenhar qualquer atividade.
“Do ponto de vista biológico, nós temos as mesmas competências, habilidades e a mesma potência física e intelectual de desempenhar qualquer atividade”, acrescentou.
Avanços ainda são considerados frágeis
Na avaliação da socióloga Valéria Marques, a presença feminina em novos espaços resulta de transformações culturais e do acesso ampliado à educação.
Apesar disso, ela considera que os avanços ainda são limitados, especialmente em áreas como a política.
“As mulheres galgaram espaços que lutaram muito para conquistar desde os anos 70, e hoje vemos um reflexo maior. Mas vejo o avanço das mulheres ainda frágil. Embora a mídia coloque em evidência muitas mulheres nas diversas áreas, na política ainda é frágil, onde só temos 30% de cotas para compor o Congresso e a luta das mulheres sempre foi de 50% e até hoje não conseguimos esse mérito”, avaliou.
