Em um estado com pouco mais de 2,7 milhões de eleitores aptos a votar, as mulheres já representam mais da metade do eleitorado no Amazonas em 2026.

Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) mostram que o público feminino corresponde a 51,5% dos participantes do pleito. A tendência é que esse percentual aumente até o encerramento do cadastro eleitoral, previsto para maio.

Apesar da maioria numérica, sociólogas apontam a necessidade de maior conscientização política e conhecimento sobre o voto.

Número de eleitoras cresce no Amazonas

De acordo com o TRE-AM, até o início de março 1.421.089 mulheres estavam cadastradas no sistema eleitoral.

No último pleito, realizado em 2024, o total era de 1.408.880 eleitoras. Portanto, houve um crescimento de 0,87% no período.

Entre os homens, o número atual de eleitores registrados é de 1.339.219. Em 2024, o quantitativo foi de 1.340.466.

Municípios com maior aumento de eleitoras

Alguns municípios do interior registraram crescimento mais expressivo no número de eleitoras entre 2024 e 2026.

Entre os destaques estão:

  • Santa Isabel do Rio Negro — 4.487 mulheres (8,64%)
  • São Paulo de Olivença — 10.531 eleitoras (7,48%)
  • Amaturá — 3.606 mulheres (7,1%)

Participação feminina fortalece a democracia

Segundo a Justiça Eleitoral estadual, quanto maior a participação das mulheres no processo democrático, maior é o fortalecimento da cidadania e da própria democracia.

Em nota, o tribunal afirmou que o crescimento da presença feminina fortalece a representatividade e amplia o debate sobre temas ligados à realidade social, como políticas públicas, saúde, educação, proteção contra a violência e igualdade de oportunidades.

“É importante destacar que o foco da Justiça Eleitoral é garantir o cumprimento da legislação que assegura a participação feminina na política. Nesse contexto, destaco a Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), que estabelece a obrigatoriedade dos partidos políticos reservarem no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais. A atuação da Justiça Eleitoral é justamente fiscalizar e assegurar que essa regra seja cumprida”, informou o tribunal por meio de nota.

Falta conscientização política

Na avaliação da socióloga Valéria Marques, as mulheres precisam buscar mais conhecimento sobre política, voto e funcionamento dos partidos.

Segundo ela, esse entendimento contribui para escolhas eleitorais mais conscientes.

“As mulheres ainda precisam de conhecimento da conscientização do seu voto. É necessário entender como se opera a questão dos partidos, como são as pautas de reivindicações de direito dentro desses partidos e de saber quem são os candidatos e aqueles que realmente farão políticas públicas para as mulheres para que a gente possa ter uma vida mais segura no nosso país”, disse.

Mulheres ainda ocupam poucos espaços de poder

Para a doutora em sociologia e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ana Cláudia Fernandes Nogueira, a presença feminina no eleitorado ainda não se reflete de forma proporcional nos cargos de poder.

“Quantas mulheres juízas compõem o tribunal de justiça? Quantas compõem outros tribunais de Justiça? Quantas são promotoras? Essas perguntas são importantes porque esses cargos são de poder não somente simbólico, mas de poder objetivo porque decide sobre políticas”, afirmou.

A pesquisadora também destacou que o avanço das mulheres em cargos públicos amplia possibilidades de atuação social.

“Como estamos cada vez mais posicionadas, vemos um movimento cada vez mais forte desse grupo, dessa estrutura patriarcal que quer nos levar de volta ao lugar de cuidado. Precisamos estar aonde queremos estar. Se a mulher estiver em lugar de cuidado é porque ela quer estar. Se quiser estar em lugar de poder, ela vai estar”, concluiu.