A logística costuma ser tratada como um setor técnico, quase invisível. Na Amazônia, ela é eixo central de qualquer modelo de negócio que pretenda ser sustentável, justo e viável no longo prazo.

Empreender aqui significa lidar com distâncias continentais, rios como estradas, sazonalidade extrema e, sobretudo, com pessoas que dependem da floresta para viver.

É nesse contexto que atua a startup Inatú Amazônia, estruturando um modelo de logística e comercialização voltado à sociobiodiversidade, conectando comunidades tradicionais a mercados exigentes sem romper ciclos naturais nem precarizar quem produz.

“A Inatú Amazônia atua de forma comercial e estratégica, reduzindo as oscilações de mercado ao realizar compras antecipadas dos produtos das associações e da marcenaria familiar que fazem parte do coletivo”, explica Marisa Taniguchi, bióloga, doutora em fisiologia vegetal e cofundadora da empresa.

Na prática, isso significa assumir riscos logísticos e comerciais que normalmente recaem sobre o produtor. Ao comprar antecipadamente, a empresa garante previsibilidade de renda e organiza transporte, armazenamento e distribuição em uma das regiões mais complexas do país.

“Conseguimos valorizar produtos da sociobiodiversidade amazônica e conectar comunidades a mercados exigentes, garantindo qualidade, rastreabilidade, justiça comercial e impacto socioambiental positivo”, afirma.

O modelo vai além da compra e revenda. A Inatú apoia melhoria de processos produtivos, padronização técnica e organização das cadeias, mantendo a identidade e a autonomia das associações. As decisões estratégicas são compartilhadas com lideranças de cinco associações e uma marcenaria familiar, em um arranjo de governança que inclui reuniões periódicas, votação de pautas relevantes e construção conjunta de metas.

Hoje, a empresa envolve diretamente 488 participantes, atua em mais de 2,5 milhões de hectares, incluindo territórios como o Projeto de Assentamento Rio Juma, a RDS do Uatumã e a Reserva Extrativista do Rio Ituxi, e mantém um fundo social que destina 10% do lucro às comunidades. Está finalizando acordo de repartição de benefícios e estruturando a entrada de mais de 70 sócios cotistas das próprias bases produtoras, fortalecendo o caráter coletivo da marca.

Depois de superar R$ 2 milhões em vendas em 2022, a empresa optou por desacelerar para fortalecer processos, governança e sustentabilidade do crescimento, uma decisão que revela maturidade em um setor frequentemente pressionado por expansão acelerada e margens apertadas.

Agora, inicia-se uma nova fase. Na sexta-feira (20/3), a Inatú Amazônia será oficialmente lançada como empresa incubada no Centro de Inovações Tecnológicas da Fundação Nilton Lins, reconhecimento que consolida sua proposta de integrar ciência, território e mercado. A partir da segunda-feira (23/3), o showroom estará aberto ao público para comercialização dos produtos, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30.

Manaus entra no radar das franquias gastronômicas

A chegada da rede Di Blasi Pizzas a Manaus chama atenção não apenas pela marca, conhecida por ganhar visibilidade nas redes sociais e entre celebridades, mas pelo movimento que ela representa no mercado de franquias.

Fundada em 2012, a empresa expandiu seu modelo de pizzas artesanais por meio de franquias e hoje reúne dezenas de unidades no país, principalmente no Sudeste. A nova operação em Manaus, instalada no bairro Nossa Senhora das Graças, chega com cardápio de mais de 70 sabores e expectativa de movimentar cerca de R$ 1,6 milhão por ano.

A presença da rede reforça um fenômeno que começa a ganhar força no setor de alimentação: o interesse crescente de franquias nacionais pelo mercado consumidor do Norte. Com mais de 2 milhões de habitantes e uma economia urbana sustentada pelo Polo Industrial e pelo setor de serviços, Manaus passou a ser vista como um mercado relevante e ainda pouco saturado por grandes redes, o que representa uma oportunidade de expansão.

Se essa tendência se confirmar, outras franquias gastronômicas podem seguir o mesmo caminho, consolidando Manaus como um novo ponto no mapa da expansão nacional do setor.

Por que a nova fábrica bilionária da LG não vem para Manaus?

A LG Electronics está prestes a inaugurar uma nova fábrica de eletrodomésticos no município de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná. Podemos nos perguntar por que a companhia não aproveitou a estrutura da planta de Manaus para investir aqui.

A resposta passa menos por incentivos fiscais e mais pela lógica de formação de clusters industriais.

Nos últimos anos, o Sul e parte do Sudeste consolidaram um importante ecossistema de produção de eletrodomésticos. Empresas como Whirlpool, Electrolux e Midea mantêm operações relevantes nessas regiões, formando um ambiente produtivo com fornecedores próximos, mão de obra especializada e logística integrada.

No caso da linha branca, esse fator pesa ainda mais. Geladeiras são produtos volumosos e dependem fortemente de cadeias metalmecânicas: chapas de aço, compressores, motores e peças estruturais. Grande parte desses fornecedores está concentrada no Sul e Sudeste do país, o que torna a proximidade geográfica um elemento estratégico. Assim, faz mais sentido manter a produção nessa região, que, inclusive, está mais próxima do mercado consumidor.

Além disso, as geladeiras utilizam cada vez mais tecnologia, e essa, sim, é amplamente produzida em Manaus.

Visto por esse ângulo, a decisão da LG não necessariamente enfraquece o papel do Polo Industrial. Pelo contrário: revela como diferentes regiões do país acabam se especializando em etapas distintas de uma mesma cadeia produtiva e podem se fortalecer mutuamente.

Quando o varejo começa a vender estilo de vida

A inauguração do novo espaço TVLAR Casa, na unidade da Rua Henrique Martins, no Centro de Manaus, pode parecer apenas uma ampliação de loja. Mas, na prática, o movimento diz respeito a uma nova forma de organização do varejo, alinhada a um novo tipo de consumo: o consumo da casa!

O ambiente foi criado para reunir itens de decoração, utilidades e objetos voltados à composição de espaços domésticos e permite que o cliente visualize ambientes, combinações e possibilidades para dentro de casa.

Nos últimos anos, o chamado mercado de ‘home living’ cresceu significativamente no Brasil. Os consumidores não querem apenas comprar móveis, objetos ou eletrodomésticos, eles passaram a investir em itens que transformam o ambiente doméstico em um espaço de identidade, conforto e bem-estar.

Mais do que funcionalidade, o consumidor busca ambiente, atmosfera e personalidade. No fundo, trata-se de uma mudança silenciosa no varejo, que começa a abrir espaço para um novo segmento ganhar protagonismo nas lojas.

RÁPIDAS & BOAS

Na terça-feira (17/3), ocorrerá o seminário ‘Turismo do Futuro: Experiência, Inovação e Negócios’, voltado à qualificação e ao fortalecimento do trade turístico local. O evento  é realizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM), em parceria com o Governo do Estado por meio da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). 

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Entre os dias 17 e 19/3, no Nova Era Hall, irá acontecer a segunda edição da ‘Big Show Amazônia 2026’, que reunirá supermercadistas, atacarejos, fornecedores, gestores e compradores interessados em expandir negócios na região Norte. A feira é promovida pela Associação Amazonense de Supermercados (Amase). Outras informações pelo link (https://portalamase.com.br/). 

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

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