Em um embate direto sobre as políticas de inclusão digital para a Região Norte, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) questionou a eficácia das ações do Ministério das Comunicações durante participação no programa Participação Popular, da TV Câmara.
O parlamentar contestou a eficácia do programa “Computadores para Inclusão”, classificando a estratégia do Governo Federal de enviar máquinas recondicionadas para a Amazônia como insuficiente e desconectada da realidade geográfica e tecnológica do século XXI. Amom defendeu ainda uma mudança de paradigma: a substituição da doação de computadores usados pelo subsídio financeiro direto às famílias de baixa renda.
O mito da “tecnologia de ponta”: sucata burocrática em Manacapuru
Enquanto o diretor do Ministério das Comunicações, Juliano Stanzani, defendeu a entrega de equipamentos recondicionados como um “orgulho” e um “sucesso”, Amom Mandel foi enfático ao desmontar a narrativa oficial. O parlamentar destacou que a distribuição de 30 mil computadores para todo o país é uma cifra irrelevante diante de um Brasil onde mais de 20 milhões de pessoas ainda vivem no apagão digital.
Mandel denunciou que os computadores recondicionados estão “longe de serem equipamentos de ponta”, tratando-se, na verdade, de hardware antigo que não atende às demandas atuais de processamento e educação digital. O deputado criticou a escolha de Manacapuru como símbolo do programa por ser uma das poucas cidades do Amazonas com acesso terrestre facilitado. Segundo Mandel, ao focar nessas “ilhas de conectividade”, o Governo Federal ignora a vasta maioria da população amazônica que vive em regiões remotas, acessíveis apenas por via fluvial ou aérea, onde o Estado é historicamente ausento.
O embate de dados: realidade vs. teoria de Brasília
A contestação de Mandel baseia-se em dados alarmantes da pesquisa TIC Domicílios 2025, que revelam que apenas 10% das pessoas mais pobres possuem computador em casa, contra 97% das classes mais altas.
O parlamentar argumentou que a política de distribuir máquinas usadas cria uma falsa sensação de inclusão, enquanto a elite do funcionalismo público em Brasília consome recursos que deveriam estar na ponta. “A realidade vence a teoria”, disparou o deputado, ao apontar que o Estado brasileiro falha em prover o básico — de medicamentos a segurança — e tenta compensar essa ausência com soluções digitais defasadas.
A solução legal: PL 4902/2024 e o Voucher Digital
Como alternativa ao modelo estatal de doação de máquinas, Amom Mandel apresentou o Projeto de Lei nº 4902/2024. O projeto visa instituir o Programa de Subsídio Digital para Famílias de Baixa Renda na Amazônia, trocando a burocracia do reparo de sucatas pela autonomia financeira do cidadão.
Os principais pilares do projeto de Amom Mandel são:
- Voucher Digital: Em vez de esperar por um computador do governo, a família recebe um benefício financeiro direto para contratar planos de internet fixa ou móvel de sua escolha.
- Foco na mobilidade: O projeto reconhece que, para o ribeirinho e o cidadão da periferia, o acesso muitas vezes ocorre pelo smartphone. O subsídio permite que esse acesso seja contínuo e de qualidade.
- Combate à desigualdade regional: O PL é desenhado especificamente para a realidade da Amazônia, onde o custo da internet é o mais alto do país e a qualidade é a pior.
- Eficiência fiscal: Mandel propõe “tirar o escorpião do bolso” do Estado para investir diretamente no cidadão, espelhando a logística de sucesso de programas como o Bolsa Família para garantir que o recurso não se perca no caminho.
O Futuro não pode esperar por recondicionamento
Para Amom Mandel, a inclusão digital não é um “luxo”, mas um direito fundamental que hoje é cerceado pela ineficiência do Governo Federal. O parlamentar reafirma seu compromisso com uma Amazônia conectada de verdade, onde a tecnologia serve para gerar renda, emprego e liberdade, e não para manter a população dependente de máquinas obsoletas enviadas por Brasília.
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