Manaus se prepara para receber um dos maiores espetáculos temáticos do calendário local. O Festival de Páscoa 2026, promovido pelo MIR Centro-Sul, será realizado na sede da igreja, na Praça 14, zona centro-sul de Manaus, com três sessões confirmadas: sexta-feira (3/4), às 19h30, e domingo (5/4), às 8h30 e 17h.
Com entrada gratuita, a expectativa é de um público superior a 6 mil pessoas ao longo das apresentações. Neste ano, a montagem reúne mais de 300 voluntários entre atores, cantores, bailarinos, músicos e equipe técnica, consolidando-se como uma das maiores produções cênico-musicais do período na capital amazonense.
Logo na concepção desta edição, o presidente do MIR Centro-Sul, o apóstolo Arão Amazonas, destaca a mudança de abordagem. “Este ano, decidimos olhar para a Páscoa por um ângulo diferente, trazendo uma reflexão que parte de alguém improvável, mas profundamente humano. ‘O Cordeiro e o Ladrão’ é um convite para que as pessoas enxerguem essa história com novos olhos”, afirma.
A propósito do tema deste ano, o festival adota uma abordagem narrativa distinta ao escolher “O Cordeiro e o Ladrão”, rompendo com a linha conceitual das edições anteriores, centradas em “Até que Ele Venha”. A proposta sinaliza uma mudança criativa relevante, tanto na construção dramática quanto na experiência estética da montagem.
A concepção parte de uma inversão de perspectiva: em vez de recontar a história sob o ponto de vista tradicional, o enredo se desenvolve a partir da figura de um personagem marginal — o ladrão crucificado ao lado de Jesus, identificado na tradição como Dimas. A escolha busca provocar reflexão ao deslocar o foco para alguém distante dos arquétipos heroicos. A narrativa acompanha esse observador improvável dos acontecimentos em Jerusalém, em meio a relatos de milagres, tensões políticas e à expectativa messiânica.
A história se inicia em uma Jerusalém retratada na peça como um centro pulsante de comércio, cultura e conflitos, onde esse personagem transita movido pela sobrevivência. Ao longo da encenação, ele é confrontado por elementos antigos da Páscoa, como a memória do êxodo e outros marcos simbólicos da tradição, até que surge o conflito central: o custo do perdão.
A progressão dramática conduz ao momento da crucificação, evidenciando o encontro entre inocência e culpa e conectando três momentos essenciais da narrativa pascal: a libertação do Egito, o simbolismo do sacrifício do cordeiro no tabernáculo e a redenção por meio de Jesus.
Arte histórica
No campo musical, a edição de 2026 apresenta uma ruptura estética, com concepção sonora baseada em referências bíblicas e forte investimento em criação autoral. O repertório combina composições inéditas e canções conhecidas, organizadas em arranjos que acompanham a progressão dramática. A direção musical constrói uma identidade própria, com atmosferas que reforçam os momentos-chave da encenação e integram música e dramaturgia em uma experiência imersiva.
Já os figurinos seguem uma linha de inspiração histórica, com peças que remetem ao contexto do primeiro século, priorizando simplicidade, funcionalidade e fidelidade visual. Tons neutros predominam entre os personagens, enquanto os trajes ligados ao domínio romano aparecem com maior contraste, contribuindo para a composição visual da narrativa. Toda a produção é assinada por uma equipe de artesãs voluntárias do ateliê do próprio MIR Centro-Sul.
A cenografia foi pensada para dar dinamismo às cenas e reforçar a ambientação histórica, com elementos que remetem ao cotidiano de Jerusalém, como áreas de comércio, caminhos e espaços públicos. Recursos como plataformas em diferentes níveis, estruturas cenográficas e objetos de cena ajudam a compor imagens mais realistas e ampliam o impacto visual.
A dança também desempenha papel importante no espetáculo, funcionando como linguagem complementar à dramaturgia. As coreografias interpretam situações e emoções dos personagens, traduzindo em movimento temas como dor, opressão, cura e devoção, ampliando a conexão com o público.
“Nossa expectativa é receber famílias inteiras para viver esse espetáculo. É uma oportunidade de reflexão, mas também de contemplação artística. Todos estão convidados a participar conosco desse momento especial”, destaca Arão Amazonas.
(*) Com informações da assessoria
