O aumento no preço do diesel já impacta o transporte fluvial no Amazonas. Empresas do segmento expresso elevaram em até 20% o valor das passagens e aguardam a oficialização de uma nova tabela de preços no estado, a ser determinada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). No entanto, o órgão regulador informa que desconhece reajustes em vigor.
Reajuste atinge lanchas e ajatos
Conforme apuração da reportagem, o reajuste varia entre 10% e 20%. Ele atinge principalmente os transportes realizados por lanchas conhecidas como expressos e ajatos.
Por outro lado, embarcações de maior porte — usadas para transporte de passageiros e cargas —, além dos ferryboats, mantêm os preços estabelecidos por tabelas nacional, da Antaq, e estadual, pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam).
Empresas mantêm preços, mas retiram descontos
A proprietária da agência Fé em Deus, Mary Jane, explica que barcos que operam o trajeto Manaus–Santarém e rotas para o interior não elevaram os preços, mas deixaram de oferecer descontos.
Segundo ela, a passagem que custava R$230 tinha desconto de R$70, chegando a R$150. Agora, o valor segue em R$150, porém sem abatimentos.
“Não houve aumento para as embarcações com maior capacidade de carga. Mas também não podemos dar desconto porque não estamos repassando esse aumento ao consumidor e continuamos seguindo o preço de tabela orientado pela Arsepam”, informou.
Além disso, a empresária afirma que os primeiros meses do ano registram baixa demanda. A procura deve crescer a partir de maio e junho.
Passagens de lanchas já ficaram mais caras
Jane afirma que as lanchas, com capacidade para até 120 passageiros, reajustaram os preços em cerca de 10%.
“Antes, a média da passagem Manaus–Parintins era de R$300. Hoje custa R$350, e algumas empresas oferecem por R$330. Já de Manaus para Santarém custa R$520, enquanto antes variava entre R$450 e R$500”, informou.
Na agência Ajato Passagem, os preços subiram 20%. A empresa atende mais de 30 municípios.
Empresas aguardam decisão da Antaq
O proprietário da Lancha Belíssima, Edilberto Mendonça, afirma que o aumento do diesel ainda não foi totalmente repassado por causa da baixa temporada. No entanto, ele aguarda posicionamento da Antaq.
A empresa opera rotas para Itacoatiara e Parintins, no Amazonas, além de Juruti, Óbidos e Santarém, no Pará.
“Estamos em baixa temporada e, se aumentarmos o preço das passagens, perdemos passageiros. Trabalhamos com a tabela antiga da Antaq, mas aguardamos autorização para repassar o reajuste”, disse. “O custo do combustível subiu, em média, R$2 por litro”, completou.
Atualmente, a passagem Manaus–Santarém custa R$521. “Vamos pedir aumento para R$600”, afirmou.
Setor pede reajuste formal
A representante do Grupo Ajato, Paula Monteiro, confirma que 16 empresas solicitaram reajuste à Antaq.
“Foi solicitado aumento de 10%. Não há condições de segurar os preços. Em trajetos longos, as lanchas precisam reabastecer em municípios onde o litro do combustível chega a R$10. Tentamos manter o equilíbrio, mas foi necessário aumentar”, disse.
Antaq diz que não há autorização para reajustes
Por meio de nota, a Antaq informa que não recebeu denúncias sobre o tema.
“A ANTAQ afirma, ainda, que todas as empresas reguladas pela Agência — responsáveis pela travessia de pedestres — têm obrigação de pedir autorização prévia para executar reajustes. Se comprovado aumento sem validação, o caso será considerado irregular e a empresa será autuada”, diz a nota.
Questionada sobre o pedido das empresas do Amazonas, a Antaq não informou prazo para resposta.
Arsepam não responde até o fechamento
A reportagem tentou contato com a Arsepam para confirmar possível novo tabelamento de preços interestaduais. No entanto, não houve resposta até a publicação desta matéria.
