O Brasil perdeu cerca de 1 milhão de alunos na educação básica em apenas um ano, segundo dados preliminares do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O número total de matrículas caiu de 47,1 milhões para 46 milhões, uma redução de 2,3%.
No ensino médio, a queda foi ainda mais expressiva. O recuo chegou a 5,4%, o equivalente a 419 mil estudantes a menos. É o menor patamar registrado no século XXI.
Queda coincide com Dia da Educação
Os dados ganham relevância em abril, mês em que se celebra o Dia Nacional da Educação, em 28 de abril.
O cenário, segundo especialistas, vai além de um alerta. Ele também abre espaço para reflexão sobre os rumos da educação no país.
Especialistas apontam mudança estrutural
Para a especialista em educação Cláudia Romano, os números indicam uma mudança estrutural no sistema.
Ela afirma que o cenário pode ser revertido em oportunidade de melhoria.
“Há uma tendência clara de retração, mas também uma oportunidade inédita de reconfigurar o sistema educacional com foco em qualidade”, disse.
Demografia explica parte da queda
Parte da redução é atribuída a fatores demográficos.
A taxa de fecundidade no Brasil caiu para 1,55 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional.
Além disso, a população de 0 a 3 anos caiu 8,4% entre 2022 e 2025.
Mesmo assim, especialistas alertam que isso não explica todo o cenário.
Ensino médio concentra maiores perdas
O ensino médio atingiu seu pico em 2004, com 9,16 milhões de alunos.
Desde então, acumula queda de quase 2 milhões de matrículas.
No período mais recente, São Paulo concentrou 60% da redução, com 259 mil estudantes a menos.
Enquanto a rede pública perdeu 425 mil alunos, a rede privada cresceu.
Desafios e avanços no sistema
Apesar da queda, o país registra avanços em alguns indicadores.
A distorção idade-série no 3º ano do ensino médio caiu 61% em quatro anos.
As matrículas em tempo integral quase dobraram desde 2020, chegando a 8,8 milhões.
O ensino fundamental segue praticamente universalizado, e o acesso à creche se aproxima das metas do Plano Nacional de Educação.
Educação precisa de novo foco
Para a especialista, o momento exige mudança de perspectiva.
Com menos alunos, haveria espaço para mais investimento por estudante, turmas menores e uso de tecnologia.
Ela cita experiências de países como Finlândia e Coreia do Sul como referência.
Ensino médio segue como principal desafio
A queda de 419 mil matrículas no ensino médio não se explica apenas pela demografia.
Segundo a análise, fatores como evasão e falta de conexão com o projeto de vida dos jovens também influenciam.
“Iniciativas como o Propag e o Pé-de-Meia mostram que há caminhos possíveis para o avanço”, afirmou a especialista.
Momento de virada
Para Cláudia Romano, o Censo Escolar 2025 deve ser visto como um ponto de inflexão.
A especialista afirma que o país pode transformar a redução de alunos em oportunidade de melhoria da qualidade do ensino.
“Mais do que um retrato, ele é um chamado à ação”, concluiu.
