O mês de maio carrega um chamado urgente à sociedade brasileira. A campanha do maio Laranja reforça a necessidade de dar visibilidade a uma das mais graves violações de direitos humanos que é a exploração sexual de crianças e adolescentes. Mais do que uma mobilização simbólica, trata-se de um movimento que busca romper o silêncio e estimular a ação coletiva.

A data de referência da campanha, 18 de maio, relembra um caso emblemático que marcou o país e impulsionou a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente como instrumento de proteção integral. A legislação brasileira é clara ao atribuir à família, à sociedade e ao Estado o dever de garantir a dignidade e a segurança de crianças e adolescentes. No entanto, a efetividade dessa proteção depende, sobretudo, da conscientização e do engajamento de todos.

A exploração sexual infantil não escolhe lugar nem classe social. Pode estar presente em ambientes vulneráveis, mas também em contextos aparentemente estruturados, muitas vezes invisível aos olhos mais desatentos. Com o avanço da tecnologia, novas formas de aliciamento surgiram, especialmente no ambiente digital, o que torna o enfrentamento ainda mais complexo e exige vigilância constante.

É nesse cenário que o maio laranja ganha força. A campanha convida a sociedade a falar sobre o tema, a orientar crianças e adolescentes e a estar atenta a sinais de alerta. O diálogo dentro de casa, o acompanhamento da vida digital dos jovens e a atuação ativa de escolas e instituições são ferramentas essenciais de prevenção.

Outro ponto fundamental é a denúncia. O Disque 100 funciona como um canal seguro e sigiloso para comunicar suspeitas de violência. Denunciar é um ato de proteção. É a partir dessas informações que autoridades podem agir, interromper ciclos de abuso e responsabilizar os envolvidos.

A luta contra a exploração sexual infantil exige mais do que leis, requer compromisso coletivo. Cada gesto de atenção, cada orientação e cada denúncia podem fazer a diferença na vida de uma criança. O silêncio, nesse contexto, não é neutralidade, é conivência.

Que a sociedade não apenas se sensibilize, mas se mobilize. Proteger a infância é proteger o futuro. E essa responsabilidade é de todos nós.

Roseane Torres Lima é advogada há 10 anos, pós-graduanda em ESG e Sustentabilidade. Atuou como assessora e procuradora judicial e do meio ambiente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), com experiência em gestão ambiental, fundiária e políticas públicas na Amazônia

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