Em meio à expansão consistente do mercado de mel no Brasil, uma nova camada de inovação começa a transformar a apicultura: o uso de dados, geotecnologia e inteligência territorial como base para decisões produtivas.

A Geo Bee, plataforma criada no Maranhão e desenvolvida a partir de pesquisa científica, surge nesse contexto ao aplicar geoprocessamento para otimizar a instalação de apiários e reduzir perdas de colônias, um dos principais gargalos do setor. “Nossa plataforma emite a capacidade de suporte de colmeias por área escolhida pelo produtor”, explica Cíntia de Cássia Melonio Pacheco, bióloga, pesquisadora, apicultora, meliponicultora e empreendedora.

A proposta ganha ainda mais relevância diante do peso econômico da atividade. O Brasil registra uma produção anual próxima de 60 mil toneladas de mel, em trajetória consistente de crescimento nos últimos três anos e mais de 100 mil apicultores em atividade. Trata-se de uma cadeia majoritariamente formada por pequenos produtores, que são responsáveis por mais de 80% da produção e fortemente dependente de eficiência e previsibilidade.

Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser ferramenta essencial. A plataforma avança para um modelo preditivo, com alertas de florada, mudanças climáticas e riscos operacionais. “Buscamos reduzir a perda das colônias através de uma melhor distribuição do campo apícola”, afirma Cíntia.

O impacto vai além da produtividade individual. A apicultura tem papel estratégico na sustentabilidade: mais de 75% dos alimentos dependem da polinização, o que conecta diretamente o setor à segurança alimentar e à preservação ambiental. Ao reduzir perdas e melhorar o manejo, soluções digitais passam a influenciar não apenas o negócio, mas toda a cadeia agrícola.

A lógica também é econômica. O Brasil exporta entre 70% e 80% do mel produzido, com os Estados Unidos como principal destino. Após ajustes recentes em tarifas internacionais, o setor voltou a ganhar competitividade, reforçando um ambiente mais favorável para investimentos e ganho de escala.

É nesse ponto que iniciativas como a Geo Bee se posicionam. Ao transformar dados ambientais em estratégia produtiva, a plataforma reduz incertezas em uma atividade historicamente vulnerável. “Isso aumentará a produção de mel na região e, consequentemente, impulsionará a economia local”, reforça a fundadora.

Com presença inicial em estados como Maranhão, Pará e Santa Catarina, a startup busca expandir sua base de dados e firmar parcerias com universidades, um movimento que evidencia uma tendência maior: a aproximação entre ciência, tecnologia e modelos de negócio escaláveis.

São movimentos como esse que, gradualmente, redesenham o setor. A apicultura, antes guiada majoritariamente pela experiência, passa a incorporar uma lógica orientada por dados, aproximando-se das práticas mais avançadas da agricultura de precisão.

Expansão da Jovi em Manaus testa a maturidade do mercado de smartphones

A consolidação da Jovi no Brasil em 2026 mostra um cenário de contrastes. De um lado, a fabricante celebrou o aporte de R$ 200 milhões em Manaus, elevando a capacidade para 500 mil aparelhos/ano. Do outro, encara o desafio de um mercado saturado, onde gigantes veteranas detêm 70% do setor. Embora os 1 mil empregos diretos tragam fôlego ao Polo Industrial de Manaus (PIM), isso ocorre sob a sombra de gargalos tributários e logísticos que ainda encarecem o produto final na Amazônia.

A sustentabilidade dessa expansão divide analistas. Para enfrentar competidores que operam na escala de milhões, a Jovi aposta na diferenciação técnica. Ao introduzir o modelo V70 5G com baterias ‘tropicalizadas’, a marca tenta capturar o consumidor brasileiro que exige alto desempenho, mas é sensível ao preço. O sucesso dependerá da capacidade da empresa em converter o custo logístico de Manaus em eficiência de varejo, uma equação que exige precisão cirúrgica em um ambiente de margens cada vez mais estreitas.

Apesar do ceticismo, o impacto para o PIM é estratégico. A operação vai além da montagem, transferindo protocolos globais de qualidade da Vivo Mobile e elevando a régua da mão de obra local. O investimento de R$ 200 milhões também injeta liquidez na cadeia regional de componentes e embalagens. Em meio às incertezas globais, a expansão reafirma a Zona Franca como porto seguro para a tecnologia. A vitória, por ora, é de Manaus, provando que o futuro da inovação no Brasil passa, cada vez mais, pela floresta.

Com faturamento de R$ 40 milhões, Plano A inicia operação em Manaus

O mercado de saúde suplementar na região Norte começa a ganhar novos contornos com a chegada da Plano A a Manaus. Com faturamento anual na casa de R$ 40 milhões, a operadora amplia sua atuação em um momento em que o setor passa por reconfiguração, impulsionado pelo aumento da demanda por planos privados e pela necessidade de maior capilaridade fora dos grandes centros.

A escolha pela capital amazonense acontece devido à consolidação de Manaus como um dos principais polos econômicos do Norte, concentrando empresas, empregos formais e uma base crescente de consumidores com acesso, ainda que desigual, a serviços de saúde suplementar.

Além da expansão geográfica, o investimento indica uma mudança de dinâmica no setor. Tradicionalmente concentrado em grandes operadoras nacionais ou grupos regionais consolidados, o mercado começa a abrir espaço para novos players que buscam nichos específicos e estratégias mais flexíveis.

Assim, a entrada da Plano A sugere um ambiente mais competitivo e, potencialmente, mais dinâmico, tanto para consumidores quanto para empresas locais. A tendência é que a presença de novas operadoras pressione por melhorias em oferta, cobertura e modelos de atendimento.

Pesquisa transforma semente amazônica em oportunidade de mercado

Em um momento em que o mercado global de cacau atravessa um dos ciclos mais voláteis de sua história recente, uma iniciativa surgida no interior do Amazonas chama atenção não apenas pela criatividade, mas pelo potencial estratégico.

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) vêm desenvolvendo um produto semelhante ao chocolate a partir da semente do ingá, que é uma fruta abundante na região e pouco explorada do ponto de vista econômico. A proposta nasce dentro da lógica da bioprospecção: identificar, na biodiversidade amazônica, matérias-primas capazes de gerar novos produtos e mercados, de modo a desenvolver a bioeconomia.

O timing dessa iniciativa não poderia ser mais relevante. Nos últimos anos, o cacau acumulou altas expressivas no mercado internacional, chegando a registrar aumentos superiores a 170% em alguns centros de negociação, reflexo de problemas climáticos, doenças nas lavouras e restrições de oferta global. 

É nesse contexto que soluções alternativas como essa começam a ganhar espaço, ao ampliar o repertório de insumos da indústria e reduzir a vulnerabilidade de uma cadeia ainda altamente concentrada e dependente de poucos países produtores. Mais do que isso, a iniciativa evidencia uma convergência relevante entre inovação e sustentabilidade, além de reforçar algo igualmente importante: a possibilidade real de aproximar a academia do mercado. 

RÁPIDAS & BOAS

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) está com inscrições até terça-feira (5/5) para o cadastro no Banco de Currículos de estudantes interessados em participar do ‘Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia 2026-2027)’. Os interessados devem se inscrever no Banco de Currículos, por meio do link (https://tinyurl.com/2myjpp6u).

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Manaus recebe entre os dias 15 e 17/5, no auditório Vitória Régia do Centro de Ciências do Ambiente (CCA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o ‘Techstars Startup Weekend – Bioeconomia’. Trata-se de uma imersão internacional sobre empreendedorismo e inovação. As inscrições podem ser feitas pelo endereço eletrônico (https://tinyurl.com/3pruduww).

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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