Brasília – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta quinta-feira (07/05), o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Cleusimar de Jesus Cardoso. A mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, pretendia responder ao processo em liberdade ou mediante medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Cleusimar está presa preventivamente desde 2024, no desdobramento das investigações sobre o tráfico de cetamina e a atuação do grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, que veio à tona após a morte de Djidja em Manaus.

Argumento de “antecipação de pena”

Os advogados de Cleusimar sustentaram que ela já cumpre cerca de 700 dias de prisão e que o processo ficou paralisado por 153 dias após a anulação de uma sentença anterior. Para a defesa, a manutenção da prisão sem uma nova condenação definitiva configuraria uma “antecipação indevida da pena” e excesso de prazo.

No entanto, o ministro relator, Sebastião Reis Júnior, afirmou que não há elementos suficientes para a concessão da liberdade imediata neste momento. O magistrado destacou que o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) fundamentou a prisão na gravidade concreta do crime, citando a estrutura organizada do grupo e o uso de empresas e do ambiente familiar para a distribuição de drogas e medicamentos controlados.

Irmão de Djidja também segue preso

A decisão do STJ ocorre um dia após a Corte também negar a liberdade a Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja. As alegações da defesa de Ademar eram idênticas às de Cleusimar, focadas no tempo de detenção.

Agora, o STJ solicitou que a 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas de Manaus envie informações atualizadas sobre o andamento da ação penal, incluindo atos praticados após abril deste ano e a atual situação prisional dos envolvidos.

Relembre o Caso Djidja Cardoso

Djidja Cardoso, que brilhou como sinhazinha da fazenda do Boi Garantido entre 2016 e 2020, foi encontrada morta em sua residência, em Manaus, no dia 28 de maio de 2024. A investigação policial revelou um cenário perturbador: a família liderava uma seita que incentivava o uso indiscriminado de cetamina, um anestésico potente que causa alucinações.

Além da mãe e do irmão, o caso envolveu a prisão de funcionários de salões de beleza da família e proprietários de clínicas veterinárias que forneciam a substância ilegalmente.

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