Por trás da trajetória de sucesso de Lucas Paquetá, maior contratação da história do Flamengo, existe alguém que nunca abriu mão da disciplina e sempre foi a grande figura de apoio incondicional. Neste Dia das Mães, Cris Tollentino, mãe do camisa 10 rubro-negro, abriu o coração ao Lance! ao relembrar os sacrifícios e desafios enfrentados durante a infância dos filhos, sempre focada em realizar o grande sonho dos pequenos Lucas e Matheus: tornarem-se jogadores de futebol.
“Eu fui mãe muito nova. Tive o Matheus primeiro. Não era algo planejado, mas decidimos assumir aquela responsabilidade, e foi maravilhoso. Éramos muito jovens, mas encaramos tudo juntos. A primeira pessoa para quem contei foi minha mãe. Falei: “Mãe, estou grávida”. Depois, quando meu marido chegou do trabalho, disse a mesma coisa: “Estou grávida”.
Cris lembra que precisou encontrar maneiras para que os filhos não se sentissem privados de viver a adolescência, mas sem perder de vista o objetivo maior da família: o futebol.

“Eles pediam só dez minutinhos para jogar bola com os amigos. Como falar para um adolescente que ele não pode sair na sexta porque sábado tem jogo? Então eu criava estratégias. Chamava os primos para casa, fazia churrasco, (jogava) videogame… Eles se divertiam, mas, quando dava 22h, eu mandava dormir. Como eles sabiam onde queriam chegar, iam sem reclamar. A lesão pode acontecer em qualquer lugar, mas a gente não pode facilitar. Como mãe de atleta, muitas vezes era “não”, mas às vezes também existia negociação”.
Pulso firme na formação dos filhos, mas também colo, proteção e apoio incondicional nos momentos mais difíceis. É assim que Cris Tollentino define o papel que exerceu na trajetória de Lucas Paquetá até o futebol profissional. Hoje atuando como mentora de atletas e de pais de jovens jogadores, ela acredita que o equilíbrio entre emoção e racionalidade foi fundamental para o sucesso da família no esporte.
“A gente age muito com o coração por ser mãe, mas é um erro grande. Quando temos um objetivo, é preciso agir com a razão. Quando tem essa rede de apoio, as coisas ficam mais fáceis. E, ao olhar para trás, o sentimento é de que esse era mesmo o caminho certo”.

A postura firme fez Cris ganhar fama dentro de casa.
“O Lucas brinca nas entrevistas e fala que eu sou “a mais general”. Mas sempre fui uma mulher de liderança, tanto dentro de casa quanto na vida. Eu faço acontecer, não deixo para depois. Acabava o jogo e ele vinha perguntar: “Gostou da partida?”. E eu respondia: “Um sete”. Aí ele falava: “Pô, mãe, sete?”. E eu dizia: “Falta muito para chegar no dez, mas você está no caminho”.
De filho dispensado a ídolo do Flamengo: a resiliência de Cris

Cris também falou com sinceridade sobre os erros que acredita ter cometido na criação do filho mais velho, Matheus, que no Brasil jogou por clubes como Tombense, Avaí e Boavista, por exemplo, e também exerceu a função de jogador na Itália. Hoje, ela usa a própria experiência para orientar outras mães que sonham em ver os filhos no futebol.
“Um amigo do meu marido falou para a gente prestar atenção no futebol, porque eles jogavam bem. Eu tinha dois meninos que tinham o mesmo sonho, que eram muito amigos. Quando o Matheus foi dispensado do Flamengo, eu senti muito. Esse momento foi bem difícil”.
“Eu errei com o Matheus, mas esses erros me fizeram acertar com o Lucas. Teve várias situações com o Matheus em que eu agi mais como mãe. Por isso a gente precisa deixar o coração de mãe e agir mais com a razão. De repente, se não houvesse esses erros com o Matheus, ele estaria no mesmo patamar que o irmão. Claro que não foi culpa só da minha gestão, foi culpa também do atleta, do Matheus, que fez escolhas erradas”.
Cris versão avó: “Coração de mãe sempre cabe”

Hoje, Cris olha para os netos e sente como se estivesse vivendo tudo outra vez. Filippo, filho mais novo de Lucas Paquetá e Duda Fournier, já demonstra paixão pelo futebol e disciplina nos treinamentos.
“O Filippo fala para mim: “Vovó, vamos treinar a perna esquerda?”. É papo de ficar uma hora chutando com a perna esquerda (risos). O Benício e o Filippo jogam bola 24 horas por dia. Eu estou prontinha para conduzir, pronta para mais um. Coração de mãe sempre cabe”.
Em breve, Cris vai levar sua história para o PodCris, um podcast que vai reunir atletas com trajetórias inspiradoras, para que outras famílias saibam que o caminho exige muito sacrifício, mas espera pela frente um futuro grandioso. Do tamanho de Lucas Paquetá.
“Hoje eu trabalho nas redes sociais ajudando pais e atletas na gestão da carreira dos filhos. Quero levar mais consciência e mudança de mentalidade para essas famílias. Mas eu tenho sonhos maiores também. Não quero ficar apenas fazendo vídeos curtos na internet”.
“Coração de mãe nunca desiste”: o conselho de Cris às mães
Ao falar sobre maternidade e futebol, Cris Tollentino emocionou ao deixar um recado para mães e pais que acompanham de perto os sonhos dos filhos no esporte. Para ela, o apoio da família vai muito além da arquibancada: passa pela presença diária, pela renúncia e pela força emocional construída dentro de casa.
“Treinem a mente dos seus filhos. Busquem inteligência emocional, porque isso fortalece demais um atleta. Um atleta mentalmente forte se torna imparável. É preciso acompanhar de perto cada etapa da caminhada. Não basta o filho dizer que tem um sonho. Como pais, precisamos apoiar de verdade. Eu preciso me doar para que ele entenda que estou ao lado dele em qualquer lugar, em qualquer momento. Quando eles se sentem acolhidos e amados, tudo flui de forma muito mais leve”.
“Vou estar aqui para a vida inteira”: a declaração de Cris para Lucas e Matheus
Em clima de Dia das Mães, Cris também aproveitou para mandar uma mensagem emocionante aos filhos, Lucas e Matheus, companheiros de uma trajetória construída com sacrifícios, disciplina e amor incondicional.
“Matheus, Lucas… provavelmente não vou estar com o Lucas no Dia das Mães porque tem jogo, já vi na tabela (risos). Mas eu amo vocês. Estou aqui e vou estar para a vida inteira”.

Bastidores da infância de Lucas Paquetá
“Eu puxava a corda todos os dias, era algo natural do dia a dia. Acabava um jogo, por exemplo, eu e meu marido cochichávamos: “Caraca, o Lucas acabou com o jogo”. Mas quando ele perguntava: “E aí, mãe, gostou do jogo?”, eu falava: “Um 7, Lucas. Falta muito para dez ainda, mas está no caminho”. Aí ele respondia: “P**ra, mãe, sete?”. Então eu sempre fui essa mãe de baixar a bola, mas nunca precisou. Ele nunca foi um cara deslumbrado. Mas eu sempre fiz questão de nunca exaltar cem por cento. Até porque a gente estava na trajetória; para eu exaltar, tem que estar aqui”.
A vida na ilha de Paquetá
“Em Paquetá, que era bem dificultoso o trajeto, né? Porque a barca demorava quase duas horas para chegar ao Rio. E a gente não tinha uma situação financeira confortável. A gente sobrevivia. E aí era aquela luta, saía de manhã, chegava em casa meia-noite com as crianças. Depois que os treinos passaram a acontecer todos os dias, eu senti necessidade de me mudar para o Rio”.
Filhos na categoria de base do Flamengo

“Aí, um dia, vendo o jornal, eu vi: “Peneira no Ninho do Urubu”. Falei: “Opa”. Não me esqueço! Cortei o pedaço do jornal, liguei para a Gávea. Então, eu peguei os dois, falei: “Ó, semana que vem vocês vão descer comigo e com seu avô, a gente vai lá no Ninho do Urubu, que vocês vão fazer o teste no Flamengo”. “Mãe, teste no Flamengo? Mas lá não é muito longe, não?” Eu respondi: “É longe, mas a gente vai. Se passar, depois a gente se muda para perto e vai dar tudo certo”. O Matheus foi o primeiro aprovado no campo, o Lucas foi aprovado no salão. A gente se dividia ali, eu e meu sogro, cada um para um lado”.
Críticas nas redes sociais
“Antigamente, de verdade, isso me incomodava. Não é que me desestabilizasse, mas me incomodava. Hoje eu sei muito quem eu sou, quem meus filhos são, quem o Lucas é e como ele chegou até aqui. Então, assim, qualquer comentário que não seja positivo não abala. O Lucas tem a cabeça muito forte. Ele é muito bem mentalmente preparado. O Lucas é um ser humano incrível e eu não vejo problema nenhum para ele com comentários negativos na internet”.
Bastidores do retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo
“Quando ele me falou que queria voltar para o Flamengo, ele ainda tinha inúmeras oportunidades na Europa, e eu achava que era cedo. Mas ele falou: “Eu quero, preciso voltar para casa”. Aí não precisa falar mais nada, né? Eu falo que o Lucas é flamenguista vermelho, que não é nem roxo. O Flamengo é um grande clube; foi aqui que a nossa história se construiu toda dentro do Flamengo, né? Pra gente foi maravilhoso, e ainda tem de quebra ele aqui do nosso lado, né? Mais perto dos meus netos, de toda a família. Só traz felicidade para a gente”.
“ Foi o que ele falou; talvez o Flamengo não precisasse dele agora, mas ele estava precisando desse acolhimento. Quando ele era da base, eu falava para ele: “A gente só sai do Flamengo com você profissional”. Eu disse que meu filho só ia sair daqui profissional do Flamengo, e foi isso que aconteceu. Meu filho só saiu daqui profissional”.
“Nossa, eu acompanhei muito o Vini, né? Eles têm uma afinidade, são amigos de longa data. Eu fico muito orgulhosa de saber que o Vini chegou onde ele chegou, a Fernanda, mãe dele. Eu fico muito feliz de vê-lo brilhando; é grandioso. Gostaria que muitos outros brilhassem como eles brilharam”.
Dancinha nas comemorações
“Eu apoio total. Aquilo extravasa alegria, mostra o quanto ele está feliz em campo. É uma forma que ele tem de comemorar. Eu sempre apoiei, dança mesmo. Falava pra ele: “Ó, tem que ter gol, tem que ter dancinha”.
*Com informações do Lance
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