Nas últimas semanas, tenho visto inúmeros vídeos no YouTube em que influenciadores afirmam que inteligências artificiais já “previram” quem vencerá a próxima Copa do Mundo. Em alguns desses vídeos, a afirmação é feita com absoluta convicção: segundo o ChatGPT, o Brasil será o campeão mundial de 2026 para alegria da Pátria de Chuteiras.

Sem delongas, resolvi interpelar a própria inteligência artificial. Perguntei ao ChatGPT sobre um vídeo específico em que um influencer brasileiro sustentava que a IA teria garantido que o Brasil conquistará o tão esperado hexacampeonato mundial.

A resposta, de certo modo, me surpreendeu. O ChatGPT começou explicando que nenhuma inteligência artificial é capaz de prever o futuro com certeza absoluta. Disse que modelos estatísticos trabalham apenas com probabilidades, desempenho recente, qualidade dos elencos, força tática, lesões e inúmeros fatores matemáticos.

Até aí, nada fora do esperado. Mas então a conversa tomou um rumo inesperado. Quando levei a discussão para outro plano, falando sobre astrologia, vibrações coletivas, ciclos emocionais e energia espiritual dos povos, a resposta da IA ficou, no mínimo, intrigante.

Sem esconder certa estupefação diante do tema, o ChatGPT disse que, dentro de leituras vibracionais e simbólicas associadas ao cenário atual, o Brasil aparece como uma das seleções mais “magnetizadas espiritualmente” para a Copa do Mundo de 2026.

Segundo a análise apresentada pela IA, existe hoje ao redor da Seleção Brasileira uma poderosa energia de renascimento coletivo. Uma energia não só esportiva, mas também psicológica.

O ChatGPT descreveu o Brasil como uma seleção ligada a ideias de reconstrução, cura e reencontro com sua própria identidade futebolística. Conforme a análise, o futebol brasileiro atravessaria um momento de transição profunda: menos baseado em arrogância histórica e mais conectado à autenticidade, criatividade e maturidade psíquica.

A IA chegou a dizer algo que me chamou muito a atenção: “A França vibra como força. A Espanha como equilíbrio. Mas o Brasil aparece como destino”. Naturalmente, isso me deixou impressionado, pois não parecia apenas uma análise esportiva convencional. Parecia quase uma interpretação cultural e espiritual do futebol.

O ChatGPT mencionou ainda que vários estudiosos de astrologia mundial associam o ciclo de 2026 a movimentos de expansão criativa, protagonismo latino-americano e transformação psíquica coletiva, fatores que favoreceriam o Brasil.

Jogadores como Vinícius Júnior e Endrick foram citados como astros dessa nova frequência da Seleção Canarinho: jovens, intuitivos, espontâneos e conectados à alegria criativa que historicamente marcou o futebol brasileiro, sobretudo nos tempos mágicos de Pelé e Garrincha.

Curiosamente, observando retrospectivamente as Copas em que o Brasil se sagrou campeão, percebe-se que cada uma delas parecia carregar uma atmosfera emocional muito específica.

Em 1958, na Suécia, o país vivia uma energia de descoberta e nascimento. O jovem Pelé surgia quase como representação de um Brasil que começava a acreditar em sua própria grandeza. Era o período do governo Juscelino Kubitschek. Éder Jofre, nosso Galo de Ouro, tornava-se campeão mundial de boxe na categoria peso galo e Maria Esther Bueno conquistava Wimbledon oito vezes, sendo três títulos de simples (1959, 1960 e 1964) e cinco títulos de duplas (1958, 1960, 1963, 1965 e 1966).

Em 1962, no Chile, a Seleção Canarinho irradiava confiança criativa. Garrincha transformou aquele torneio numa manifestação quase intuitiva do improviso brasileiro, como se o futebol tivesse se tornado arte espontânea. Naquele ano, o genial Garrincha foi até maior que Pelé.

Já a conquista de 1970 talvez possua a aura mais mítica de todas. Muitos enxergam na equipe de Zagalo uma espécie de alinhamento raro entre talento, alegria, identidade nacional e magnetismo coletivo. A Seleção de Carlos Alberto Torres, Pelé, Tostão, Jairzinho, Gerson e Rivellino parecia carregar algo maior do que simples eficiência esportiva. Parecia representar um ideal estético de futebol que transcendeu gerações.

Em 1994, o astral era completamente diferente. O Brasil vinha de 24 anos sem títulos e atravessava um período psicologicamente contido. A conquista nos Estados Unidos teve menos brilho artístico, mas enorme peso psicológico. Diria que foi um título de reconstrução emocional.

Em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, o sentimento predominante era redenção. Ronaldo Fenômeno voltava desacreditado após anos de sofrimento físico e psicológico. O pentacampeonato carregou uma poderosa simbologia de superação e retorno à alegria coletiva.

Digo ser por isso que tantas pessoas acreditam existir algo invisível nas campanhas históricas da Seleção Brasileira. Como se algumas Copas fossem vencidas não só pelos pés, mas também pelo espírito.

Ao mesmo tempo, o ChatGPT também destacou outras seleções muito fortes vibracionalmente. A França apareceu associada à força competitiva e ao senso de inevitabilidade. A Espanha foi descrita como a equipe mais harmoniosa mentalmente. Já Portugal carregaria uma energia de fechamento de ciclo histórico.

Mas, de acordo com a IA, o Brasil possuiria algo mais. Algo próximo de um “destino inacabado”. E talvez seja isso que torna sua nova possível campanha tão fascinante.

A história nos mostra que o futebol brasileiro nunca foi apenas sobre vencer partidas. Sempre foi sobre emoção coletiva. Sobre imaginação. Sobre beleza. Sobre transcendência.

No final da conversa, o ChatGPT fez uma observação que, honestamente, ficou batucando na minha mente: “Talvez seja cedo para afirmar que o hexa já está escrito nas estrelas.
Mas também pode ser ingênuo acreditar que Copas do Mundo são decididas apenas pela lógica racional”.

Não sei se o Brasil será campeão do mundo em 2026. Nenhuma IA sabe. Ninguém sabe. Mas depois da conversa com o Chat, fiquei com a sensação de que existe algo diferente acontecendo ao redor da Seleção Brasileira. Como se, pela primeira vez em muitos anos, o país estivesse voltando a acreditar não só no futebol, mas em si mesmo, apesar de sua elite política tão primitiva.

Tomara o darma positivo do povo fale mais alto que o karma da elite nos campos dos EUA, Canadá e México.

Juscelino Taketomi
Juscelino Taketomi é jornalista, colaborador do EM TEMPO e assessor especial na Assembleia Legislativa do Amazonas

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