O Brasil tem atualmente cerca de 597 mil médicos ativos. Desse total, 59,1% são especialistas, enquanto 40,9% ainda atuam como generalistas, sem título de especialização, segundo dados da pesquisa “Demografia Médica no Brasil 2025”, realizada pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira (AMB).
Dados do estudo também mostram que a distribuição de especialistas ainda é desigual no país. Enquanto a Região Sudeste concentra 55,4% dos médicos especialistas brasileiros, a Região Norte reúne apenas 5,9% desse total, evidenciando os gargalos históricos de acesso à formação e à assistência médica especializada na Amazônia.
Em meio a esse cenário desproporcional, a Afya Educação Continuada anunciou a abertura, no Amazonas, de novas turmas em áreas estratégicas, como destaca Ramon Vieira, diretor regional da Afya: “O Amazonas ainda enfrenta uma importante carência de médicos especialistas, principalmente fora da capital. Áreas como Neuropediatria, Psiquiatria, Medicina Intensiva, Medicina de Emergência e Clínica da Dor estão entre as que apresentam maior demanda”.
Embora a expansão regional seja naturalmente importante, o que chama atenção é o modelo empresarial construído pela companhia.
A Afya deixou de operar apenas como uma instituição tradicional de ensino para estruturar um sistema integrado que acompanha o profissional desde a graduação até a prática médica. Hoje, o grupo combina faculdades de medicina, educação continuada, tecnologia educacional e ferramentas digitais utilizadas por médicos em todo o país.
Esse posicionamento ajudou a transformar a empresa em um dos principais grupos do setor, inclusive com capital aberto na Nasdaq, bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, reforçando sua atuação nacional baseada em expansão, digitalização e integração entre saúde e inovação.
A companhia vem ampliando investimentos em plataformas digitais, inteligência de dados, conteúdos interativos e soluções tecnológicas voltadas à formação médica. Na prática, o grupo tenta antecipar uma transformação que já ocorre no setor de saúde: médicos cada vez mais conectados a ecossistemas digitais de atualização profissional, telemedicina, gestão clínica e educação continuada.
“A inteligência artificial já apoia processos de aprendizagem, simulação clínica, análise de casos, interpretação de exames e personalização do ensino. Hoje, ela funciona como uma ferramenta complementar, ajudando o médico a tomar decisões mais rápidas e baseadas em dados”, explica Ramon.
Essa aproximação entre a formação médica e a lógica da Indústria 4.0, baseada em conectividade, automação, inteligência de dados e integração tecnológica, reflete o nível de transformação que já começa a redefinir o setor de educação em saúde.
Além disso, no Amazonas, a ampliação das operações também possui um peso econômico importante. A entrada de cursos ligados à área médica e da saúde movimenta não apenas o setor educacional, mas toda uma cadeia regional envolvendo mercado imobiliário, construção civil, serviços, hospitais, clínicas, empregos especializados e circulação econômica nas cidades onde a empresa se instala.
Wearables térmicos podem transformar climatização pessoal em novo nicho industrial no PIM
O lançamento da nova geração do REON Pocket pela Sony Group Corporation pode representar uma mudança profunda além de um gadget tecnológico. O dispositivo, uma espécie de climatizador corporal inteligente usado atrás do pescoço, ajuda a sinalizar o surgimento de um possível novo mercado global: o da climatização pessoal portátil.
A nova versão do aparelho, apresentada esses dias pela companhia, ganhou bateria mais duradoura, sensores inteligentes e maior eficiência térmica. O produto funciona por meio de tecnologia termoelétrica e consegue tanto resfriar quanto aquecer o corpo automaticamente, ajustando a temperatura conforme o ambiente e a movimentação do usuário.
Essa tecnologia pode romper com a lógica do setor que esteve concentrada em resfriar ou aquecer ambientes inteiros, durante décadas: casas, escritórios, galpões e veículos. E agora começa a climatizar diretamente o corpo humano com dispositivos portáteis, inteligentes e energeticamente mais eficientes.
E esse avanço tecnológico pode abrir novas discussões dentro do Polo Industrial de Manaus (PIM), que concentra algumas das maiores operações de climatização do país, com fabricantes globais de ar-condicionado e eletrônicos instalados na região. Nesse cenário, o avanço da chamada ‘wearable climate tech’ pode abrir espaço para um novo nicho industrial ligado à climatização pessoal, envolvendo wearables térmicos, acessórios inteligentes, sensores corporais e soluções portáteis de conforto térmico.
Com a elevação das temperaturas no mundo inteiro, essa inovação tende a ganhar força no mercado e criar oportunidades futuras para polos industriais especializados em climatização, como Manaus.
Maior exportadora do Amazonas, Recofarma amplia relevância internacional do PIM
A conquista do prêmio de “Maior Empresa Exportadora do Amazonas em 2025”, concedido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), reforça a importância estratégica da operação da Recofarma no Polo Industrial de Manaus (PIM), que hoje ultrapassa o papel de uma simples unidade fabril da Coca-Cola Brasil.
Com R$ 211,3 milhões em exportações e crescimento de 19,6% no volume exportado de concentrados para refrigerantes, a companhia amplia o papel de Manaus dentro da cadeia produtiva internacional do grupo. Os principais mercados atendidos atualmente incluem países como Colômbia, Bolívia, Venezuela, Uruguai e Paraguai.
Os números ajudam a dimensionar esse avanço. Em 2024, a Recofarma produziu quase 40 mil toneladas de concentrado, sendo 9,7 mil toneladas destinadas à exportação. Já em 2025, o volume total ultrapassou 53 mil toneladas, com 11,6 mil toneladas exportadas – crescimento de aproximadamente 32,5% na produção total.
E, embora esse segmento não tenha historicamente o mesmo protagonismo dentro do PIM que eletroeletrônicos ou motocicletas, a Recofarma acaba revelando uma outra dimensão do modelo industrial amazonense: a capacidade de integrar cadeias globais de alimentos, bebidas, tecnologia industrial e exportação de alto valor agregado.
Como a Royal Enfield está construindo uma operação de longo prazo no Brasil
A Royal Enfield acelerou sua expansão no país com a inauguração da maior concessionária da marca no mundo, aberta em São Paulo na última terça-feira (26/5). Ao mesmo tempo, a empresa já confirmou a ampliação da operação CKD em Manaus, inicialmente estruturada em parceria com a Dafra e posteriormente expandida com apoio do Grupo Multi. Embora ainda não possua uma fábrica própria no Polo Industrial de Manaus (PIM), o avanço operacional representa mais um passo importante na consolidação da marca no Brasil.
Diferentemente de diversas fabricantes estrangeiras que enxergaram o país apenas como uma oportunidade momentânea de mercado, a Royal Enfield parece seguir uma estratégia mais estruturada: ampliar presença gradualmente, ganhar escala, fortalecer a rede comercial e consolidar a operação antes de avançar para investimentos industriais de maior porte.
E os números começam a mostrar que esse planejamento vem funcionando. O Brasil já se tornou um dos mercados mais relevantes da Royal Enfield fora da Índia, impulsionado pelo crescimento do segmento de média cilindrada e pela mudança no comportamento do motociclista brasileiro, cada vez mais interessado em modelos aspiracionais, experiências e diferenciação.
RÁPIDAS & BOAS
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está com inscrições abertas para o processo de seleção do ‘Programa Multicêntrico de Pós-Graduação em Bioquímica e Biologia Molecular (PMBqBM)’, com quatro vagas para cursos de mestrado (1) e doutorado (3). As inscrições são gratuitas e seguirão abertas até sábado (30/5), por meio do link (https://tinyurl.com/22x523fa).
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O Venturus está com inscrições abertas até quarta-feira (3/6) para a 4ª edição do ‘Descomplica VNT’, formação gratuita em tecnologia voltada a pessoas autodeclaradas pretas, pardas e indígenas interessadas em iniciar trajetória no setor digital. Outras informações e inscrições pelo link (https://tinyurl.com/48apbfnw).
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O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) está com inscrições abertas até sexta-feira (5/6) para o curso de mestrado em Aquicultura no Trópico Úmido (PPG-ATU). Ao todo, são ofertadas 10 vagas para ingressar em agosto de 2026, sendo 8 regulares e 2 suplementares de ação afirmativa para candidatos autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e Pessoas com Deficiência (PcDs). As inscrições devem ser realizadas no site do PPG-ATU (https://tinyurl.com/2mjt2666).

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