São Paulo (SP) – A percepção sobre a violência contra mulher ainda revela um cenário preocupante no Brasil. Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (1º) mostra que 61% dos entrevistados acreditam que muitos casos de agressão contra mulheres estão relacionados à escolha do parceiro.

O levantamento foi realizado pelo Datafolha, a pedido do Movimento Mulher 360, e ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todo o país.

Pesquisa sobre violência contra mulher revela diferença entre homens e mulheres

Os dados apontam que a concordância com essa afirmação é maior entre os homens. Entre eles, 65% concordam total ou parcialmente que a violência contra mulher pode estar ligada às escolhas afetivas da vítima.

Entre as mulheres, o índice é menor, mas ainda elevado: 58%.

Segundo o estudo, essa percepção pode contribuir para a transferência de responsabilidade dos agressores para as vítimas.

“Essa percepção reforça como a responsabilidade pela violência ainda é frequentemente transferida às vítimas, e não aos agressores”, destaca a pesquisa.

Escolaridade influencia percepção sobre violência contra mulher

O levantamento identificou diferenças significativas conforme o grau de escolaridade dos entrevistados.

Entre pessoas com ensino fundamental, 73% concordam com a afirmação. O percentual cai para 61% entre quem possui ensino médio e para 48% entre aqueles com ensino superior.

Os números indicam que a escolaridade influencia diretamente a forma como a população compreende a violência contra mulher e suas causas.

Mulheres relatam agressões recorrentes

A pesquisa também investigou experiências pessoais de violência de gênero.

Entre as mulheres entrevistadas, 74% afirmaram ter vivido ao menos uma situação de violência ao longo da vida.

Os casos mais frequentes incluem:

  • Insultos e xingamentos (59%);
  • Ameaças de agressão física (45%);
  • Perseguição ou intimidação (43%);
  • Toques ou contatos sem consentimento (38%);
  • Espancamento ou tentativa de enforcamento (25%);
  • Ameaça com arma ou faca (22%).

Segundo o estudo, cada vítima relatou ter enfrentado, em média, três situações de violência.

Violência contra mulher ainda enfrenta barreiras para denúncia

Outro dado que chama atenção é a baixa procura por ajuda após os episódios de violência.

Entre as mulheres que sofreram a agressão considerada mais grave no último ano, 37% afirmaram não ter tomado nenhuma providência.

A pesquisa aponta que fatores como medo, sentimento de culpa, falta de apoio e desconfiança nas instituições dificultam a denúncia.

Apenas 19% das mulheres disseram confiar plenamente na polícia para protegê-las. Entre os homens, esse percentual chega a 31%.

Estudo aponta necessidade de fortalecer proteção às vítimas

Os resultados também mostram divergências sobre a eficácia das leis de proteção às mulheres.

Enquanto 55% dos homens consideram a legislação eficiente, o mesmo percentual de mulheres demonstra desconfiança sobre a efetividade das medidas de proteção.

De acordo com os pesquisadores, o fortalecimento das políticas públicas, da rede de acolhimento e das campanhas educativas continua sendo fundamental para combater a violência contra mulher e incentivar a denúncia dos casos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 11 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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