As Suraras do Tapajós desembarcam em Manaus entre os dias 23 e 25 de julho com a turnê nacional “Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”. O projeto celebra os oito anos de trajetória do primeiro grupo de carimbó do Brasil formado exclusivamente por mulheres indígenas.
Ao longo de três dias, o público poderá participar gratuitamente de shows, oficinas, rodas de conversa e atividades formativas. Dessa forma, a programação aproxima os visitantes da cultura originária e da ancestralidade amazônica.
A agenda começa em 23 de julho, no Espaço Cultural Muiraquitã, no Centro de Manaus. Na ocasião, haverá uma oficina prática de carimbó, um laboratório técnico de som voltado para jovens e um show intimista das Suraras do Tapajós. Já nos dias seguintes, o evento promove debates sobre cultura indígena, sustentabilidade e moda consciente. Além disso, os visitantes poderão conferir uma feira de artesanato indígena.
Uma viagem ao território Borari
No palco, as Suraras conduzem o público a uma experiência inspirada no território do povo Borari, em Alter do Chão (PA). Música, espiritualidade e ativismo caminham juntos durante toda a apresentação.
Entre os destaques do repertório estão as canções autorais do álbum A Força Que Vem das Águas. O espetáculo também presta homenagem à cantora Dona Onete, um dos principais nomes da cultura paraense.
Ao mesmo tempo, curimbós, banjos e maracas de cuia acompanham músicas interpretadas em português e em Nheengatu. Além da música, o show reúne coreografias coletivas, grafismos corporais feitos com jenipapo, figurinos artesanais e o tradicional banho de cheiro. Assim, a apresentação reforça a identidade e a força dos povos originários.
Arte que fortalece a resistência
Mais do que um grupo musical, as Suraras do Tapajós utilizam a arte como ferramenta de afirmação cultural, defesa ambiental e fortalecimento da presença feminina no carimbó.
Para Val Munduruku, ativista socioambiental, artista e presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, cada apresentação representa o território e a história do povo indígena.
“Sempre que subimos num palco, representamos nosso povo e nossa região: somos um território encontrando outros.”
Em seguida, a artista reforça que a música também representa uma forma de resistência.
“Nossa arte é nossa luta. E vice-versa. Cantamos em defesa do rio, da floresta, das mulheres e dos povos indígenas. É uma luta árdua e também uma grande celebração. Nossa resistência é pela alegria e pela tradição.”
Oficinas aproximam o público da cultura indígena
Além dos shows, a turnê investe na formação de novos públicos e no intercâmbio entre coletivos indígenas.
Já no dia 24 de julho, o Casarão Muiraquitã recebe uma roda de conversa com lideranças e artistas locais. Em seguida, no dia 25, o espaço promove uma oficina de moda consciente. A atividade aborda processos produtivos alinhados ao respeito aos ciclos da natureza.
Ao longo dos três dias, o evento contará com tradução em Libras, audiodescrição durante os shows e estrutura acessível para pessoas com deficiência. Além disso, ações de sustentabilidade serão realizadas em parceria com iniciativas de reciclagem e com o Movimento Amazônia de Pé.
Grupo já passou por grandes festivais
Criado em 2018, o grupo conquistou espaço em alguns dos principais eventos culturais do país. Entre eles estão o Coala Festival, a Virada Cultural de São Paulo e a celebração dos 50 anos do Rock in Rio.
Fora do Brasil, as Suraras do Tapajós realizaram turnês pela França, Finlândia e Portugal. Recentemente, elas também participaram de agendas ligadas às discussões climáticas durante a COP30, em Belém.
Atualmente, a circulação nacional da turnê ocorre por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O projeto conta com patrocínio master da Petrobras e realização da agência e selo Alter do Som, em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal.
Programação em Manaus
23 de julho | Espaço Cultural Muiraquitã (Centro)
- Oficina prática de carimbó;
- Laboratório técnico de som para jovens;
- Show intimista das Suraras do Tapajós.
24 de julho | Casarão Muiraquitã
- Roda de conversa com lideranças e coletivos indígenas locais.
25 de julho | Casarão Muiraquitã
- Oficina de moda consciente;
- Feira de artesanato indígena.
Leia mais
Veja as justificativas dos jurados para notas de itens de Garantido e Caprichoso
