Mesmo diante do avanço dos smartphones e smartwatches, o mercado brasileiro de relógios segue mostrando fôlego. O que parecia caminhar para a substituição acabou revelando outra tendência: o relógio tradicional não é apenas um marcador de horas, mas passou  a ocupar um lugar mais ligado a estilo, identidade e valor afetivo.

Os números ajudam a explicar esse novo ciclo. No Brasil, o segmento de relógios movimentou cerca de US$ 788 milhões em 2025, segundo dados da Euromonitor International. No mercado global, a indústria também mantém perspectiva de crescimento, impulsionada pela combinação entre modelos tradicionais, conectados e peças de maior valor agregado. Levantamento da Grand View Research estima que o mercado mundial de relógios foi avaliado em US$ 69,1 bilhões em 2025 e pode chegar a US$ 96,8 bilhões até 2033.

É nesse cenário que o Grupo Technos, maior grupo relojoeiro da América Latina, amplia sua operação no Polo Industrial de Manaus (PIM). A companhia vem investindo em capacidade produtiva, equipamentos de maior precisão, automação, rastreabilidade e controle de qualidade, em uma estratégia alinhada aos conceitos da indústria 4.0.

Segundo o diretor industrial do grupo, Leandro Belecan, a origem suíça da marca ajudou a consolidar uma cultura baseada em precisão e rigor técnico, mas o diferencial foi adaptar esse legado à realidade industrial brasileira. “Ao longo das décadas, o Grupo Technos conseguiu traduzir esse legado para uma operação industrial brasileira robusta, adaptada ao mercado local e com capacidade de produzir em escala mantendo controle de qualidade e consistência”, afirma o executivo.

Hoje, o grupo reúne marcas como Technos, Mormaii, Euro, Condor, Fossil e Michael Kors. A expansão do portfólio, segundo Belecan, foi decisiva para estruturar uma plataforma industrial capaz de atender diferentes marcas, posicionamentos e tecnologias.

A aposta no relógio analógico também mostra uma leitura interessante do comportamento do consumidor. Em vez de disputar apenas a função prática de mostrar as horas, o produto passou a se apoiar em atributos menos substituíveis pela tecnologia. “Hoje ele ocupa um espaço de expressão pessoal, estilo e identidade. Em um cenário cada vez mais digital, o relógio analógico ganhou um valor simbólico maior, associado à permanência, design e conexão emocional”, destaca.

Essa percepção também impulsiona o interesse por relógios automáticos, modelos mecânicos que dispensam bateria e têm conquistado consumidores mais jovens, entusiastas e colecionadores. Para a indústria, essa tendência reforça a importância de unir design, precisão técnica e capacidade produtiva.

Em 2025, o Grupo Technos informou crescimento de 21,2% em relação ao ano anterior, atribuindo o resultado ao fortalecimento do portfólio, à proximidade com o varejo e à evolução da gestão operacional.

Outro ponto relevante é a agenda de sustentabilidade. A companhia conquistou a Certificação Empresa B™, tornando-se a primeira relojoeira nacional a receber o reconhecimento internacional. Na prática, o Grupo afirma incorporar critérios ambientais e sociais às decisões operacionais, com iniciativas como logística reversa de relógios e embalagens, redução do consumo de água e energia e certificação ISO 14001.

Além de preservar uma tradição, a nova fase do Grupo Technos mostra como a indústria relojoeira também está sendo redesenhada por tecnologia, eficiência e sustentabilidade. E, nesse processo, Manaus segue ocupando um lugar estratégico na produção nacional.

Sunmi confirma fábrica no Brasil, mas mantém em sigilo o destino do investimento

A chinesa Sunmi confirmou sua entrada no Brasil com uma operação que vai além da importação de equipamentos. A empresa anunciou que terá manufatura local, engenharia, suporte técnico e estrutura própria para atender ao mercado brasileiro, mas ainda não revelou em qual estado pretende instalar sua unidade industrial.

Especializada em soluções que integram dispositivos inteligentes, conectividade, software e serviços para o varejo, pagamentos e automação comercial, a companhia chega em um momento de expansão da digitalização dos negócios no país. A decisão de produzir localmente também indica uma estratégia voltada à adaptação tecnológica, certificações e atendimento às exigências do mercado nacional.

A indefinição sobre a localização da fábrica abre espaço para diferentes interpretações. Entre os possíveis destinos, Manaus reúne características que chamam atenção. O Polo Industrial de Manaus (PIM) concentra uma cadeia consolidada de eletroeletrônicos, equipamentos de informática e dispositivos conectados, além de fornecedores, institutos de pesquisa e incentivos voltados à manufatura de alta tecnologia.

A definição do endereço da futura fábrica será um dos próximos capítulos dessa disputa por investimentos. Será que o PIM leva?

Entre Foxconn e Mitsubishi Fuso, um sinal para o PIM

A aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da joint venture entre Foxconn e Mitsubishi Fuso evidencia uma mudança importante na indústria automotiva global, cada vez mais baseada na integração entre eletrônica, inteligência artificial, software e manufatura avançada.

Conhecida por sua atuação na fabricação de produtos eletrônicos para grandes empresas globais, a Foxconn amplia sua presença na mobilidade elétrica ao unir forças com a Mitsubishi Fuso, tradicional fabricante de veículos comerciais. O objetivo é desenvolver ônibus sustentáveis e de emissão zero, combinando competências em tecnologia, automação e engenharia veicular.

A reorganização das cadeias globais pode abrir espaço para polos industriais com experiência em eletrônica embarcada, conectividade e sistemas inteligentes, competências já presentes no Polo Industrial de Manaus (PIM). Além de se tratar de uma parceria entre duas empresas, a decisão do Cade mostra que a competitividade da indústria automotiva dependerá, cada vez mais, da convergência entre tecnologia e manufatura. Isso não garante novos projetos para Manaus, mas coloca o PIM em uma posição que merece ser acompanhada à medida que essas transformações avançam.

E, embora não haja, até o momento, anúncio de novos investimentos na planta do PIM a Foxconn já mantém operações na região, que vêm sendo acompanhadas de perto pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), responsável por três visitas às unidades da empresa apenas neste ano.

Singer transforma tradição em oportunidade de novos negócios

Conhecida mundialmente pelas máquinas de costura, a Singer inicia uma nova fase de sua trajetória ao ingressar, pela primeira vez, no segmento de cuidados domésticos. A nova linha ‘Singer Cuidado em Casa’, lançada neste mês, reúne produtos voltados à limpeza, proteção e conservação, como desengripantes, espuma limpadora, impermeabilizantes, limpa-contatos, hidratantes para couro e óleos lubrificantes, ampliando a presença da marca para além do universo da costura.

Essa é uma tendência observada em diferentes setores da economia: empresas consolidadas têm utilizado a credibilidade construída ao longo de décadas para acessar novos mercados, ampliando as oportunidades de crescimento.

A estratégia consiste em transformar a força da marca em um ativo capaz de gerar valor em diferentes categorias de consumo.

Ainda não há informações oficiais sobre a fabricação da nova linha ou eventual relação com as operações industriais da empresa no Brasil.

RÁPIDAS & BOAS

A partir da segunda-feira (6/7) o INDT Educacional abre inscrições para o curso presencial ‘Formação Executiva em Gestão de Projetos’. A formação desenvolve competências em gestão de projetos, liderança, metodologias ágeis e transformação digital, com foco na aplicação prática nas organizações. As aulas iniciarão na segunda-feira (10/8) e mais informações pelos links (www.indt.org.br) ou (https://educacional.indt.org.br).

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A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) está com inscrições abertas, até segunda-feira (6/7), para 300 vagas em cursos de especialização nas áreas de ‘Gestão Pública’ e ‘Tecnologias Digitais para o Ensino Básico’. As capacitações, destinadas a candidatos de alguns municípios do Amazonas, serão realizadas na modalidade de ensino à distância (EaD). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://tinyurl.com/34hnxx37.

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O Programa de Pós-Graduação em ‘Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia’, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), está com processo seletivo aberto até terça-feira (7/7) para as turmas de mestrado e doutorado, com ingresso em 2027.Os interessados podem consultar pelo link (www.ppgcasa.ufam.edu.br).

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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