Gustavo Adolfo Igrejas Filgueiras assumiu a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) interinamente em abril deste ano, substituindo Serafim Correa, e foi confirmado como titular da pasta já no mês de maio.
Formado em Economia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/ISAE), Igrejas acumulou mais de três décadas de experiência na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), onde ingressou em 1987 e exerceu diversas funções estratégicas, entre elas coordenador-geral de Projetos Industriais, superintendente-adjunto e superintendente geral (cargo que ocupou entre 2014 e 2015).
Também atuou como subsecretário operacional da Secretaria de Trabalho, Empreendedorismo e Inovação da Prefeitura de Manaus. Em 2023 foi convidado a integrar o governo estadual, como secretário executivo de Desenvolvimento Econômico da Sedecti.
Confira a entrevista:
EM TEMPO – Como sua experiência na Suframa influencia sua gestão à frente da Sedecti?
GUSTAVO IGREJAS – Já são quase quatro décadas dedicadas à Zona Franca de Manaus. Essa experiência, adquirida principalmente na Suframa, me permite conhecer profundamente as necessidades da região e, principalmente, suas complexas legislações. Isso favorece muito o diálogo com as associações de classe e fortalece o trabalho em prol da melhoria do ambiente de negócios, sempre buscando ampliar a competitividade do Amazonas.
ET – Quais as suas principais prioridades na gestão da Sedecti?
GI – Pontualmente: Fortalecer a Zona Franca de Manaus; estimular a diversificação econômica – e estamos com um Plano de Bioeconomia prontinho para colocar em prática; ampliar a inovação; interiorizar o desenvolvimento; e atrair novos investimentos que gerem emprego, renda e oportunidades para a população.
ET – Quais ações serão adotadas para manter o crescimento da economia amazonense?
GI – Vamos continuar atuando para fortalecer a política industrial, apoiar o empreendedorismo local, incentivar a inovação, ampliar a integração entre governo, universidades e setor produtivo…enfim, temos não apenas que manter as condições para os investimentos, mas também ampliar as possibilidades para que eles sejam atraídos para todo o estado.
ET – Além do Polo Industrial de Manaus, quais setores serão prioridade para diversificar a economia do estado e como essa estratégia será colocada em prática?
GI – Além do Polo Industrial de Manaus, vamos priorizar a bioeconomia, o agronegócio sustentável, o turismo, a mineração responsável, o gás natural e a valorização das cadeias produtivas do interior. A estratégia é transformar as vocações regionais em oportunidades de negócios, sempre com inovação, agregação de valor e sustentabilidade. Temos diversas ações nesse sentido em andamento na Secretaria.

ET – Em que fase está a implantação do Plano Estadual de Bioeconomia? E como ele beneficiará o estado?
GI – O Plano está em fase de consolidação e construção conjunta com diversos parceiros, a partir da composição do GT de implementação do plano, construído por meio do Edital de Chamamento Público nº 2/2026. As inscrições para o GT encerraram no último dia 30 e até dia 24 de julho teremos a homologação e convocação das instituições selecionadas. Com a implantação do plano vamos criar um ambiente favorável para novos negócios sustentáveis, agregando valor à biodiversidade, gerando empregos e promovendo desenvolvimento com conservação da floresta.
ET – Como aproximar ciência, tecnologia e inovação das demandas do setor produtivo?
GI – Acredito que um caminho importante seja fortalecer a parceria entre universidades, centros de pesquisa, financiadoras – como a Fapeam, que já vem fazendo um grande trabalho neste sentido -, empresas e governo, incentivando projetos voltados para soluções reais que aumentem a produtividade e a competitividade das empresas.
ET – Quais são os maiores desafios para impulsionar o desenvolvimento do interior do Amazonas?
GI – Num estado do tamanho do Amazonas, maior que muitos países do mundo, o maior desafio é o logístico. Temos que ampliar a infraestrutura, expandir a conectividade e criar oportunidades econômicas compatíveis com as vocações de cada município, e temos que fazer tudo isso sempre respeitando a sustentabilidade ambiental. O desafio é do tamanho do próprio estado.
ET – Como a Sedecti pretende melhorar o ambiente para empreendedores e investidores no Amazonas?
GI – Com diálogo permanente, desburocratização, segurança jurídica, apoio institucional e políticas públicas que tornem o Amazonas cada vez mais competitivo para receber e manter os investimentos.
ET – O que o Amazonas oferece hoje de diferencial para atrair novos investimentos?
GI – Além dos incentivos da Zona Franca de Manaus, garantida pela Constituição Federal, o estado oferece estabilidade institucional, mão de obra qualificada, localização estratégica, grande mercado consumidor e um enorme potencial em bioeconomia e recursos naturais.
ET – Qual marca o senhor pretende deixar no desenvolvimento econômico e na inovação do Amazonas?
GI – Quero deixar como legado uma gestão que fortaleceu a Zona Franca de Manaus, mas também abriu caminhos para alternativas econômicas tão fortes quanto, baseadas em inovação e sustentabilidade. O Amazonas tem um potencial enorme e a melhor marca a deixar é fazer com que o estado tire o melhor proveito possível de suas vocações. Meu compromisso é trabalhar para que continuemos gerando emprego, atraindo investimentos e oferecendo boas oportunidades para a população do Amazonas.
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