Estimado em cerca de US$ 730 milhões em 2025, o mercado brasileiro de impressão 3D deve ultrapassar US$ 3 bilhões até 2034, impulsionado pelo avanço da indústria, da saúde, da construção civil e pela popularização de equipamentos mais acessíveis. Baseada na manufatura sob demanda, a tecnologia reduz desperdícios, estoques e custos, consolidando-se como um dos pilares da Indústria 4.0.

Em Manaus, essa transformação já inspira novos empreendedores. Os estudantes Heitor Lemos de Albuquerque (à dir.), de 13 anos, e Antônio Mauro Ferreira Magalhães (à esq.), de 12, transformaram um projeto iniciado nas aulas de robótica em um pequeno negócio de impressão 3D. “O que começou como curiosidade virou um sonho. Hoje a gente consegue transformar uma ideia em um produto que alguém realmente quer comprar”, resume Heitor.

O ponto de virada aconteceu após uma encomenda de 800 broches para uma campanha escolar. A experiência mostrou que a tecnologia também podia gerar renda. “Foi naquele momento que percebemos que aquilo poderia virar um negócio de verdade”, comenta Antônio.

Hoje, a empresa opera com três impressoras 3D, produz peças personalizadas sob encomenda e reinveste parte dos lucros para ampliar a operação. Além da produção, os jovens desenvolveram competências ligadas ao empreendedorismo, como planejamento, precificação, controle de qualidade, relacionamento com clientes e gestão financeira.

O crescimento do negócio também atraiu novos parceiros. Fernando Anjos, de 12 anos, que inicialmente procurou a dupla para conhecer a tecnologia e aprender sobre impressão 3D, passou a integrar o projeto como o terceiro sócio da empresa. Juntos, os estudantes dividem as atividades de produção, desenvolvimento de novos produtos e planejamento da expansão do empreendimento.

O crescimento da impressão 3D também amplia oportunidades para pequenos empreendedores, que conseguem desenvolver produtos personalizados sem a necessidade de grandes investimentos em maquinário ou estoques. A flexibilidade da tecnologia permite atender nichos específicos e responder rapidamente às demandas do mercado, criando novos modelos de negócios.

Em um mercado de trabalho marcado pela rápida transformação tecnológica, iniciativas como essa mostram que o empreendedorismo pode começar muito antes da vida profissional. Ao desenvolver soluções, atender clientes, administrar custos e transformar conhecimento em produtos, jovens passam a construir competências que dificilmente seriam adquiridas apenas em sala de aula. Mais do que preparar futuros profissionais, experiências desse tipo ajudam a formar uma geração mais criativa, adaptável e preparada para identificar oportunidades em uma economia cada vez mais baseada na inovação.

Agora, o objetivo do grupo é investir em equipamentos mais modernos, ampliar a capacidade produtiva e consolidar o empreendimento, acompanhando a expansão de um mercado impulsionado pela manufatura digital e pela inovação. 

O mais interessante desse case é não se trata apenas de fabricar objetos, mas, sobretudo, observar como a impressão 3D aproxima educação, tecnologia e empreendedorismo, demonstrando que boas ideias podem se transformar em negócios ainda durante a vida escolar.

Abbott aposta em biossimilares para ampliar acesso a terapias de alta complexidade

A aprovação, pela Anvisa, de dois biossimilares de ‘denosumabe’ para comercialização pela Abbott no Brasil confirma uma tendência que vem transformando a indústria farmacêutica mundial: a expansão do mercado de medicamentos biológicos por meio dos biossimilares. 

Os novos produtos serão utilizados no tratamento da osteoporose e de complicações ósseas associadas ao câncer, doenças que tendem a crescer com o envelhecimento da população brasileira. Segundo estimativas citadas pela empresa, cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com a osteoporose, o que amplia a demanda por terapias eficazes e financeiramente mais acessíveis. 

Os biossimilares representam uma das principais tendências da indústria farmacêutica porque ampliam a concorrência após o vencimento de patentes de medicamentos biológicos de referência. Embora não sejam cópias idênticas, demonstram equivalência clínica em eficácia, segurança e qualidade, permitindo ampliar o acesso da população a terapias de alta complexidade, tradicionalmente associadas a custos elevados. 

Esse novo cenário também movimenta investimentos em pesquisa, produção biotecnológica e capacidade regulatória. Países capazes de desenvolver competências em biofármacos passam a disputar um mercado global de elevado valor agregado, impulsionado pelo crescimento das doenças crônicas, pelo envelhecimento populacional e pela busca por maior sustentabilidade dos sistemas públicos e privados de saúde.

O avanço desse segmento no Brasil reforça a importância de fortalecer o ecossistema nacional de inovação em saúde, aproximando universidades, centros de pesquisa, empresas e órgãos reguladores. 

Rava Cycle escolhe Manaus para acelerar sua nova fase industrial

O Polo Industrial de Manaus (PIM), maior polo produtor de bicicletas das Américas, ganhará um novo protagonista no segmento de Duas Rodas. A Rava Cycle anunciou a implantação de sua unidade fabril na capital amazonense, com início das operações previsto para o segundo semestre de 2026.

Para compreender a importância desse investimento, basta observar os números. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), embora o mercado de bicicletas tradicionais atravesse um período de estabilização, com retração de 11,7% na produção acumulada entre janeiro e maio deste ano, as bicicletas elétricas seguem em trajetória oposta. No mesmo período, sua produção cresceu 85,5%, passando a representar mais de 20% de todas as bicicletas fabricadas em Manaus.

É nesse cenário que a Rava Cycle, marca do Grupo JPP, decidiu instalar sua unidade fabril no Amazonas. Reconhecida pela atuação nos segmentos de bicicletas urbanas e mountain bikes, a empresa pretende ampliar sua participação no mercado de bicicletas elétricas a partir da estrutura produtiva do PIM. A expectativa é expandir significativamente a operação, com projeção de crescimento superior a 200%.

RÁPIDAS & BOAS

As organizações interessadas em participar da edição 2026 do Prêmio PQA, promovido pelo Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria (Dampi), da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), têm até a próxima segunda-feira (13/7) para realizar a inscrição. A prorrogação do prazo amplia a oportunidade para empresas, indústrias, instituições públicas e organizações do terceiro setor apresentarem suas práticas de excelência em gestão. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (92) 3186-6640 ou 3186-6642.

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Na terça-feira (21/7), acontece o evento gratuito ‘SOLAXP em Manaus: Tudo sobre BESS e Sistemas Híbridos’, trata-se de um encontro estratégico para integradores que desejam ampliar oportunidades e dominar o mercado de armazenamento. O evento será no horário das 13h às 19h, no Tropical Executive Hotel. As inscrições estão disponíveis pelo link (https://tinyurl.com/nhfbj9bw).

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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