Falar sobre a saúde íntima masculina ainda é, para muitos homens, um grande tabu. No entanto, o silêncio e o adiamento na busca por ajuda médica podem transformar um incômodo simples em uma complicação de saúde relevante. Entre as afecções genitais mais frequentes nos consultórios urológicos estão a balanite e a balanopostite, condições caracterizadas pela inflamação e infecção da pele do pênis e da glande (a “cabeça” do pênis).

Embora possam afetar homens de todas as idades, essas inflamações manifestam-se com maior frequência em meninos e em adultos que apresentam fimose (dificuldade ou impossibilidade de expor a glande) ou excesso de pele no prepúcio. Outro fator decisivo é o meio ambiente: em regiões de clima predominantemente quente e úmido, como na Amazônia, a transpiração e a umidade local criam um cenário propício para o surgimento dessas condições, tornando os casos significativamente mais comuns.

Na grande maioria dos casos, o processo inflamatório tem início com a proliferação excessiva de fungos que habitam naturalmente a região genital. Quando o ambiente se torna propício, devido à umidade acumulada, ao calor e, principalmente, à má higiene local, esses organismos se multiplicam desordenadamente.

Além disso, em pacientes que já apresentam fatores de risco, o quadro inflamatório inicial por fungos pode evoluir e favorecer uma superinfecção bacteriana, agravando consideravelmente os sintomas. O diabetes mellitus descontrolado é outro vilão de destaque. O excesso de glicose no sangue altera a imunidade e modifica a secreção local, criando um meio de cultura ideal para microrganismos. Contudo, as causas não se limitam a fungos e bactérias. A balanopostite também pode ser desencadeada por: Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs); Dermatites de contato e alergias a medicamentos, preservativos ou tecidos sintéticos; Uso de substâncias irritantes, tais como sabonetes muito perfumados ou antissépticos agressivos; Traumas locais mecânicos ou viroses.

O quadro clínico costuma dar sinais claros logo nos primeiros dias. O homem deve ficar atento ao surgimento de: Vermelhidão e irritação na glande ou no prepúcio; Coceira persistente ou sensação de queimação; Inchaço (edema) e dor ao toque ou durante a relação sexual; Presença de secreções com odor desagradável ou pequenas lesões na pele.

O tratamento adequado depende diretamente da causa primária e da gravidade do quadro. Casos leves e iniciais podem ser resolvidos apenas com a adequação da higiene íntima e o uso de cremes ou pomadas tópicas (antifúngicas ou anti-inflamatórias).
Em situações mais acentuadas, pode ser fundamental a introdução de medicamentos via oral, como antifúngicos e antibióticos, além do controle rigoroso das taxas glicêmicas nos pacientes diabéticos.

Nos casos de infecções recorrentes,quando o paciente apresenta episódios repetidos de balanopostite, e na presença comprovada de fimose ou excesso de prepúcio, o tratamento definitivo costuma ser cirúrgico (postopectomia ou circuncisão).

A cirurgia moderna evoluiu consideravelmente. Hoje, o procedimento pode ser realizado com anestesia local isolada ou acompanhada de sedação leve para maior conforto do paciente. Atualmente, dispomos do uso do clampeador cirúrgico, um equipamento tecnológico que simplifica a execução da cirurgia, permite sua realização sob anestesia local, proporciona um tempo cirúrgico menor e favorece uma recuperação pós-operatória mais rápida, confortável e com excelente resultado estético na cicatriz.

Dr. Flávio Antunes é urologista, referência em infertilidade masculina. Com mais de 20 anos de experiência, atende no Urocentro em Manaus e é professor da UFAM. CRM-AM 4851, RQE 1178. Instagram: @drflavioantunesuro

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