Quem acompanha a rotina de um consultório urológico sabe bem: uma das queixas mais dramáticas e angustiantes que recebo é a famosa “dor nos rins”. Diariamente, atendo pacientes que chegam assustados, às vezes exaustos, tentando descrever uma dor que parece não dar trégua. Como urologista, entendo perfeitamente esse receio. A dor renal clássica, que chamamos tecnicamente de cólica nefrética, costuma se manifestar na região lombar, de forma aguda e intensa. Ela é descrita na literatura médica como uma das dores mais fortes que o ser humano pode experimentar.
O que mais desespera o paciente no momento da crise é que essa dor não encontra posição de alívio. A pessoa se deita, senta, levanta, anda pelo quarto, e nada resolve. Além disso, frequentemente vem acompanhada de náuseas e vômitos, o que aumenta ainda mais o desgaste físico. Uma característica muito marcante que costumo mostrar para meus pacientes na consulta é o fato de que a dor nos rins é, na imensa maioria das vezes, unilateral. É extremamente raro que os dois rins sejam acometidos ao mesmo tempo provocando dor simultânea.
Quando você sente aquela dor forte de um lado só das costas, o organismo está emitindo um sinal claro. Para entender por que dói tanto, costumo explicar aos meus pacientes como funciona o fluxo urinário. O rim é o responsável por filtrar as substâncias tóxicas do nosso sangue, eliminando o que não serve e reaproveitando o que é benéfico. O produto desse trabalho é a urina, que precisa sair do rim e descer por um canal fino chamado ureter até chegar à bexiga.
A dor intensa acontece quando surge qualquer obstáculo no meio do caminho. Quando a urina encontra dificuldade para passar, o rim começa a dilatar, esticando a cápsula que o envolve. É essa distensão repentina que deflagra a cólica. E a pergunta que mais ouço no consultório é: “Doutor, beber água ajuda a evitar?”. A resposta é um sonoro sim. A ingestão adequada de água é a medida preventiva mais simples, barata e eficaz que existe para a saúde renal.
A hidratação mantém a urina diluída, impedindo que substâncias se concentrem e formem cristais. Mas quais são as causas mais comuns de dor renal que diagnostico no dia a dia? Cálculos renais (Pedras nos rins): É a causa campeã de atendimentos. As pedras se formam pelo acúmulo de substâncias como cálcio e ácido úrico na urina.
É um problema ligeiramente mais comum em homens do que em mulheres. Vale ressaltar um detalhe importante que sempre explico: enquanto a pedra está silenciosa, “parada” dentro do rim, ela raramente causa dor. O sofrimento começa no momento em que ela se desloca e bloqueia a passagem da urina pelo ureter. Infecções (Pielonefrite): Diferente da cólica por cálculo, a dor da infecção renal tende a ser mais contínua e vem acompanhada de febre e mal-estar geral. Geralmente, ela começa com uma bactéria na bexiga que sobe até os rins. Trata-se de uma urgência médica que exige antibioticoterapia rápida para evitar complicações graves.
Obstruções congênitas (Estenose de JUP): São malformações no canal urinário presentes desde o nascimento. Algumas chegam a ser identificadas ainda no ultrassom intraútero, mas muitas só manifestam sintomas na vida adulta, exigindo, na maioria dos casos, correção cirúrgica. Cistos renais: Presentes em cerca de 30% da população geral, e em metade das pessoas acima de 50 anos, os cistos são bolsas de líquido.
Em geral são benignos e assintomáticos, mas quando ultrapassam 6 a 8 centímetros, podem causar desconforto pelo volume. Tumores renais: Uma das minhas maiores preocupações como médico. Nas fases iniciais, o câncer de rim não dói. A dor só surge em estágios mais avançados. Por isso, insisto tanto no check-up preventivo: detectar a lesão no início é a chave para a cura. Se você sentir dores lombares intensas com náuseas ou febre, procure imediatamente um pronto-socorro. Para o dia a dia, mantenha sua garrafa de água sempre por perto e consulte regularmente um urologista. Prevenir é sempre o melhor caminho.

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