Encerrada a disputa eleitoral, o Amazonas precisa pensar em como transformar a imensidão territorial, a riqueza ambiental e o potencial econômico do estado em desenvolvimento capaz de alcançar os 62 municípios, gerar empregos e melhorar concretamente a vida da população.
Governar o Amazonas significa enfrentar problemas históricos de infraestrutura, saúde, educação, logística e desigualdade regional, sem perder de vista a responsabilidade de preservar um patrimônio ambiental de importância mundial.
A Zona Franca de Manaus continua sendo um dos motores da economia amazonense, responsável por empregos, atividade industrial e arrecadação. Entretanto, defender a ZFM não significa aceitar que o futuro econômico do estado dependa predominantemente de um único modelo.
O Amazonas precisa fortalecer seu polo industrial e também construir novas matrizes de desenvolvimento, capazes de ampliar a geração de renda e reduzir vulnerabilidades diante das transformações tecnológicas, econômicas e comerciais.
A bioeconomia deve ocupar lugar central nessa estratégia. A biodiversidade amazônica oferece possibilidades para a produção de fármacos, cosméticos, alimentos, insumos industriais e novos materiais.
Contudo, não basta repetir o potencial da floresta em discursos oficiais. É necessário investir em ciência, tecnologia, universidades, formação profissional, crédito, infraestrutura e segurança jurídica.
Precisamos desenvolver cadeias produtivas que permitam ao Amazonas participar das etapas mais rentáveis da transformação de seus recursos, em vez de permanecer limitado ao fornecimento de matérias-primas.
Outro tema que exige atenção é o potencial mineral do estado, inclusive no campo das terras raras e dos minerais estratégicos.
Há ocorrências de terras raras associadas a depósitos minerais em Pitinga, mas potencial geológico não implica, automaticamente, viabilidade econômica ou autorização para exploração.
O caminho deve combinar pesquisa científica, transparência, proteção ambiental e respeito aos direitos das populações locais. Se projetos economicamente viáveis forem confirmados, o estado precisa trabalhar para que o beneficiamento, a pesquisa e parte relevante da cadeia industrial sejam desenvolvidos no próprio Brasil, sempre que possível no Amazonas.
Não faria sentido retirar riquezas do território sem assegurar contrapartidas duradouras em tecnologia, empregos qualificados, receitas públicas e desenvolvimento regional.
A infraestrutura é outro desafio incontornável. A discussão sobre a BR-319 precisa avançar com seriedade e soluções técnicas que considerem tanto a integração do Amazonas ao restante do país quanto a proteção da floresta.
O estado necessita de logística eficiente, transporte fluvial moderno, portos adequados, conectividade digital e melhores condições de circulação de pessoas e mercadorias.
Também é indispensável olhar para o interior. Não existe projeto de desenvolvimento amazonense quando comunidades distantes continuam enfrentando dificuldades de acesso à saúde especializada, educação de qualidade, internet e oportunidades de trabalho.
O tamanho do estado não pode servir como justificativa permanente para a ausência do poder público. Precisa ser tratado como uma condição que exige soluções próprias, com investimentos planejados e políticas adaptadas à realidade de cada região.
O novo governo terá o dever de articular interesses distintos em torno de objetivos comuns. A Assembleia Legislativa, as bancadas federal e estadual, os prefeitos, as universidades, o setor produtivo e a sociedade civil precisam participar da construção de uma agenda de longo prazo.
Mais importante do que anunciar grandes projetos será estabelecer metas, identificar fontes de financiamento, cumprir etapas e prestar contas dos resultados.
O Amazonas possui riquezas naturais extraordinárias, posição geográfica estratégica e uma população que não pode continuar esperando indefinidamente por oportunidades.

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