A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou uma lista com igrejas e pastores investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS. No entanto, a publicação ocorre após cobrança pública do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que chamou a senadora de “linguaruda” por expor a ligação de religiosos com o esquema sem citar nomes.

No último domingo, Damares afirmou que a comissão sofre pressões de pessoas e instituições que tentam atrapalhar as investigações, já que identificaram “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos nos desvios ilegais.

Nota explica divulgação das informações

Além disso, em nota publicada no Instagram, Damares destacou que foi autora do requerimento que resultou na criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular da comissão desde o início.

Segundo a senadora, as informações mencionadas em relação às igrejas são públicas, constam em documentos oficiais e já foram aprovadas pelos integrantes da comissão.

Igrejas citadas na investigação

As seguintes igrejas aparecem como alvos de pedidos de quebra de sigilo:

  • Adoração Church
  • Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo
  • Ministério Deus é Fiel Church
  • Igreja Evangélica Campo de Anatote

Pastores mencionados pela CPMI

A comissão também convocou líderes religiosos para prestar esclarecimentos:

  • Cesar Belucci
  • André Machado Valadão
  • Péricles Albino Gonçalves
  • Fabiano Campos Zettel
  • André Fernandes

Além disso, alguns deles são alvos de pedidos de quebra de sigilo.

Senadora diz sentir tristeza com denúncias

Damares afirmou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS lhe causa “profundo desconforto e tristeza”. Ainda assim, ressaltou que a CPMI tem o dever constitucional de investigar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.

Pressões e lobbies contra a CPMI

A manifestação ocorre após Malafaia anunciar, em suas redes sociais, que publicaria um vídeo para confrontar a senadora. Enquanto isso, o pastor reagiu às declarações de Damares, nas quais ela afirmou que a comissão identificou “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos em fraudes, além de relatar pressões para impedir o avanço das investigações.

Em entrevista ao SBT News, Damares disse:

“(Estão tentando atrapalhar as investigações) o tempo todo. Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes’.”

Por isso, a senadora ressaltou que a CPMI enfrenta lobbies contra o avanço das investigações, mas que o trabalho dos parlamentares tem superado as expectativas.

“Essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso me machuca muito.”

Malafaia acusa generalização

Após a nota de Damares, Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais. Por outro lado, ele acusou a senadora de contradição e disse que as declarações foram “infundadas”.

Segundo o pastor, o uso do plural ao citar “grandes igrejas” e “líderes renomados” generaliza acusações e prejudica a imagem da Igreja Evangélica.

Em vídeo anterior, Malafaia havia cobrado Damares: “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda. Se tem, denuncie; se não, cale a boca.”

Próximos passos da CPMI do INSS

Para 2026, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que a comissão vai realizar, em fevereiro, o “primeiro balanço” do relatório preliminar sobre as atividades do ano passado.

O encerramento da CPMI está previsto para março. No entanto, Viana defende prorrogar os trabalhos por mais 60 dias, já que o prazo atual é insuficiente para analisar todos os documentos e ouvir os depoentes restantes.

Números da investigação

Ao longo de 2025, a CPMI realizou 28 reuniões e ouviu 26 testemunhas, incluindo dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni.

Além disso, os parlamentares analisaram cerca de 4.800 documentos e identificaram 108 empresas suspeitas.

Por fim, o presidente da comissão afirmou que pedirá ao STF a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado suspeitos de irregularidades.

*Com informações do O Globo

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