Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram à CNN que não foram informados previamente sobre o contrato firmado entre o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro.
Internamente, integrantes do Palácio do Planalto atuam para reduzir o impacto do episódio, após a divulgação de que o escritório de Lewandowski prestou consultoria ao banco no período em que ele ainda comandava o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Repercussão
De acordo com apuração da CNN, a existência do contrato com o Banco Master é mencionada por membros do governo como um dos fatores que aceleraram o pedido de saída de Lewandowski da pasta. O ex-ministro deixou o cargo em 10 de janeiro.
Diante da repercussão, Lewandowski divulgou nota na qual confirma a prestação de serviços ao banco. No entanto, ele não especificou o período de vigência do contrato.
“O ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, diz o comunicado.
No Palácio do Planalto, ministros sustentam que Lula não tinha conhecimento desse vínculo no momento da nomeação de Lewandowski.
Além disso, argumentam que não houve conflito de interesses, pois o relacionamento profissional teria sido encerrado antes da posse no Ministério da Justiça.
Outros desdobramentos
Além do episódio envolvendo o ex-ministro, o presidente Lula teve um encontro fora da agenda oficial com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Na ocasião, Lula ouviu o empresário, mas ressaltou que qualquer tema relacionado ao banco deveria ser tratado exclusivamente no âmbito do Banco Central, sem envolvimento do Planalto.
Ainda em dezembro do ano passado, Lula se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, relator da investigação que envolve o Banco Master.
O encontro contou com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ocorreu durante o avanço das apurações judiciais sobre o caso.
Apesar do desgaste político gerado pelo episódio, ministros avaliam que o governo não deve adotar uma postura defensiva.
Conforme interlocutores, a orientação de Lula é reforçar a autonomia da Polícia Federal e do Banco Central e sustentar que não há irregularidades na atuação de integrantes do governo, enquanto as investigações seguem em andamento.
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(*) Com informações do CNN Brasil
