O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, anunciou nesta quarta-feira (2) que a ministra Cármen Lúcia será a relatora da proposta de criação de um código de ética para os integrantes da Corte.

O anúncio ocorreu durante a sessão solene de abertura do Ano Judiciário de 2026, cerimônia que marca a retomada dos trabalhos após o recesso.

Em seu discurso, Fachin ressaltou que as instituições enfrentam desafios constantes para preservar a integridade e a legitimidade.

“Momentos de adversidade exigem mais do que discurso, pedem responsabilidade institucional, clareza de limites e fidelidade absoluta à Constituição da República.”

Fachin defende autocorreção e responsabilidade institucional

Durante a solenidade, o presidente do STF afirmou que os ministros “respondem pelas escolhas que fazem” e destacou que o momento exige “autocorreção” por parte da Corte.

Além disso, diante da resistência interna de magistrados contrários à aprovação de regras formais para disciplinar a conduta dos ministros, Fachin afirmou que buscará diálogo para viabilizar o avanço do texto.

“Vamos caminhar juntos na construção do consenso no âmbito desse colegiado. Impende dialogar e construir confiança pública, porque nessa reside a verdadeira força do Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Autoridades acompanham abertura do Ano Judiciário

A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de outras autoridades dos Três Poderes.

Críticas ao STF e o caso Banco Master

O debate sobre a criação de um código de ética ocorre após membros do STF serem alvo de críticas públicas relacionadas à condução das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master.

No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes negou ter participado de um encontro com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no primeiro semestre de 2025.

A reunião teria ocorrido na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio às negociações para a compra da instituição pelo BRB.

O suposto encontro foi revelado pelo Portal Metrópoles. Em nota à imprensa, Moraes classificou a informação como “falsa e mentirosa”.

Antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o escritório de advocacia Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestou serviços ao banco controlado por Vorcaro.

Caso Toffoli também gera questionamentos

No início deste mês, o ministro Dias Toffoli passou a ser questionado por manter a relatoria do caso após reportagens apontarem que a Polícia Federal identificou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master.

O fundo adquiriu participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que pertencia a familiares do ministro.

Além disso, Edson Fachin também foi alvo de críticas após divulgar uma nota pública em defesa da atuação de Toffoli no caso.

Diante desse contexto, a proposta de um código de ética ganha força como tentativa de reforçar a transparência e a confiança pública nas decisões do Supremo Tribunal Federal.

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