A cantora Ludmilla entrou com um processo contra o vereador Coronel Rosses (PL-AM), alegando danos morais devido às declarações feitas pelo parlamentar na tribuna da Câmara Municipal de Manaus e em entrevistas posteriores. Ela pede R$ 70 mil de indenização, alegando que o vereador imputou falsamente à artista o crime de “aliciar crianças” durante sua apresentação no festival Sou Manaus Passo a Paço 2025.

Coronel Rosses sustenta que reagiu ao que considera uma afronta à moralidade pública. Ele critica apresentações financiadas com recursos públicos que, segundo sua avaliação, têm conteúdo sexual explícito.

O vereador afirma que esse tipo de espetáculo viola valores familiares e expõe crianças e adolescentes a conteúdos inadequados. Para ele, o poder público não deve financiar eventos dessa natureza.

Veja trecho da apresentação da artista em Manaus;

Defesa cita lei municipal

A defesa de Rosses alega que o show da cantora violou a Lei Municipal nº 593/2025. A norma proíbe o uso de dinheiro público para contratar artistas cujas apresentações incentivem a sexualidade ou causem constrangimento.

Diante disso, o vereador também criticou o prefeito de Manaus, David Almeida. Segundo Rosses, a prefeitura não regulamentou a lei dentro do prazo legal. Para ele, essa omissão permite gastos elevados com eventos que ferem princípios éticos e morais.

Além da ação judicial, Rosses cobra mais transparência sobre o festival Passo a Paço. Ele ajuizou uma ação popular contra o Município e a Manauscult.

O objetivo é obter informações sobre os cachês pagos aos artistas. O vereador destaca que o orçamento do evento saltou de R$ 2 milhões para mais de R$ 25 milhões em quatro anos, um aumento de 1.156%. Até agora, esses dados não aparecem detalhados no Portal da Transparência.

Vereador diz que manterá fiscalização

Rosses disse ainda que apresentará defesa após notificação oficial da Justiça. Ele disse, no entanto, que continuará cobrando esclarecimentos sobre o uso de recursos públicos.

“Irei apresentar a minha defesa técnica assim que for formalmente notificado pela Justiça. No entanto, o que a população de Manaus realmente deseja saber é quanto essa cantora embolsou de dinheiro público para vir aqui em Manaus apresentar palavras de baixo calão para crianças, adolescentes e adultos. Não descansarei enquanto não houver clareza sobre esses gastos, uma vez que a transparência da gestão David Almeida é inexistente e os contratos são mantidos em uma escuridão inaceitável para o contribuinte”, declarou o Coronel Rosses.

O parlamentar reforçou que vê sua atuação como dever de fiscalização. Segundo ele, a imunidade parlamentar garante o direito de denunciar irregularidades e questionar o uso do dinheiro público.

Por fim, o parlamentar destacou ainda que sua função é proteger o patrimônio público e moral da cidade, afirmando que “imunidade parlamentar não é impunidade, mas o direito de fiscalizar o mau uso do dinheiro público e denunciar irregularidades”.

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