As chuvas intensas marcaram o início do ano em Manaus e acenderam o alerta para a saúde dos animais de estimação. Em apenas 28 dias de janeiro, a capital amazonense superou a média histórica de 305,6 milímetros e acumulou 334,2 mm de chuva, segundo dados da estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Diante desse cenário, aumentam os riscos de doenças associadas ao acúmulo de água e à umidade — especialmente para cães e gatos, que dependem diretamente dos cuidados dos tutores.

Umidade favorece fungos, bactérias e infecções

Sócia-fundadora do Centro de Especialidades Cirúrgicas e Veterinárias (CECV), a médica veterinária Ádria Camila Souza da Silva explica que o período chuvoso cria o ambiente ideal para a proliferação de microrganismos e amplia o risco de contato com água contaminada.

“É por isso que os cuidados com cães e gatos devem ser redobrados nesta época. É fundamental manter o ambiente sempre seco e bem ventilado, evitar que o animal permaneça com pelos molhados por longos períodos e garantir uma secagem completa após banhos ou passeios na chuva. Camas, cobertores e casinhas também precisam estar livres de umidade, pois o excesso de água favorece o desenvolvimento de fungos e bactérias”, detalha.

Além disso, segundo a especialista, algumas doenças se tornam mais frequentes nesse período.

“A leptospirose é uma das principais preocupações, pois pode ser transmitida pelo contato com água contaminada por urina de roedores, algo comum em enchentes e áreas alagadas. Também há aumento de dermatites bacterianas e fúngicas devido à umidade constante na pele. Doenças transmitidas por carrapatos, como erliquiose e babesiose, tendem a crescer, porque a chuva favorece a vegetação e a proliferação desses parasitas. Problemas gastrointestinais, como giardíase e verminoses, também podem ocorrer com maior frequência”, especifica.

Atenção aos primeiros sinais clínicos

A cirurgiã veterinária alerta que os primeiros sinais de que a umidade está prejudicando o animal incluem coceira, vermelhidão na pele, lambedura excessiva, odor forte na pele ou nas orelhas, secreção no ouvido e cabeça sacudida com frequência.

“Em casos mais graves, podem surgir apatia, febre, vômitos ou diarreia, sinais que exigem avaliação veterinária imediata, especialmente pela possibilidade de doenças infecciosas como a leptospirose”, salienta Ádria.

Portanto, ao perceber qualquer alteração no comportamento ou na saúde do pet, o tutor deve buscar atendimento especializado o quanto antes.

Fortalecimento imunológico é aliado na prevenção

Para reduzir riscos durante o período chuvoso, a veterinária recomenda fortalecer o sistema imunológico dos animais. Isso inclui alimentação de qualidade, com níveis adequados de proteína, suplementação de ômega 3 (quando indicada), controle do estresse, sono adequado e check-ups regulares.

Além disso, manter a vacinação em dia é indispensável.

“Para cães, a vacina polivalente (V8 ou V10), que inclui proteção contra leptospirose, deve estar atualizada, além da antirrábica. Pode-se considerar também a vacina contra gripe canina. Para gatos, é fundamental manter a vacina múltipla (V3, V4 ou V5) e a antirrábica atualizadas. Além disso, o uso regular de antiparasitários contra pulgas e carrapatos e a vermifugação periódica são medidas preventivas importantes. A prevenção continua sendo a melhor estratégia: ambiente seco, controle de parasitas, atenção aos primeiros sinais clínicos e vacinação atualizada”.

Em resumo, durante a temporada de chuvas em Manaus, prevenir é essencial. Ambientes secos, vacinação atualizada e acompanhamento veterinário regular garantem mais saúde e segurança para cães e gatos.

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