A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada após o desfile no Carnaval 2026 do Rio de Janeiro, apenas um ano depois de subir ao Grupo Especial.

Na apuração desta quarta-feira (18), a escola somou 264,6 pontos, insuficientes para permanecer na elite do samba. Assim, a agremiação retornará ao Grupo Ouro.

O enredo homenageou o presidente Lula (PT) e também criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado como o palhaço Bozo. A apresentação aconteceu no domingo (15).

Enquanto a Acadêmicos de Niterói enfrentava críticas e rebaixamento, a Viradouro, outra escola de Niterói, conquistou o título do Grupo Especial com homenagem ao mestre de bateria Ciça.

Controvérsias políticas e ausência da primeira-dama

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, assistiu ao desfile da Acadêmicos de Niterói ao lado de Lula, mas não desfilou como previsto no último carro. A cantora Fafá de Belém substituiu a primeira-dama.

O samba-enredo provocou debates sobre propaganda política antecipada, já que Lula pretende disputar a reeleição em 2026. O presidente acompanhou o desfile de um camarote, acenando para apoiadores nas arquibancadas.

Notas e protestos da escola

A escola recebeu as menores notas em 7 dos 9 quesitos: comissão de frente, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços, harmonia, fantasia e enredo. Apenas o samba-enredo teve nota máxima.

O integrante Fabiano Leitão, destaque de chão da Acadêmicos de Niterói, contestou a avaliação:
“Eu acho que as notas não condizem com a apresentação que foi feita. A gente tirou dois 10 em samba-enredo, que é lindo e conta a história genuína do Brasil, porque não se pode contar a história do nosso país sem falar do presidente Lula”.

Ele completou:
“A escola foi corajosa, foi guerreira e cumpriu sua tarefa de contar a história. Acho que daqui a 50 anos talvez as pessoas nem lembrem dos outros desfiles, mas desse vão lembrar com certeza.”

Na segunda-feira (16), a escola denunciou perseguição política, afirmando que sofreu pressões de setores conservadores e gestores do Carnaval carioca. A Acadêmicos alegou tentativas de interferir na autonomia artística, incluindo pedidos de alteração do enredo e questionamentos sobre a letra do samba.

Repercussão religiosa e críticas da sociedade

Após o desfile, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifestou preocupação com o uso de símbolos cristãos e da família em apresentações consideradas ofensivas. A nota, divulgada na terça-feira (17), não citou a escola diretamente, mas foi interpretada como resposta ao desfile da Acadêmicos de Niterói.

A agremiação, em uma de suas alas, criticou “neoconservadores”, representados por integrantes vestidos com fantasias de latas de conserva ilustrando a família tradicional.

A arquidiocese afirmou:
“Reconhecemos a cultura popular como expressão da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria. Ao mesmo tempo, é preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade.”

A OAB-RJ também criticou a escola, classificando o episódio como “intolerância religiosa na Marquês de Sapucaí”.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo Leia mais: