Neste sábado (28), às 20h, o espetáculo “Sebastião”, do Ateliê 23, terá sessão gratuita no Teatro Amazonas, em Manaus. A apresentação celebra os 50 anos da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal (MinC).

O evento reforça a importância histórica da instituição. Além disso, propõe reflexão sobre o futuro e compartilha conquistas de cinco décadas de fomento às artes brasileiras. Dessa forma, ecoa a força do Brasil das Artes e de sua política nacional.

Memórias dos anos 70 e debate LGBTQIAPN+

Com direção de Taciano Soares e Eric Lima, a peça leva ao palco memórias da década de 1970. O ponto de partida é o Bar Patrícia, primeiro reduto gay em Manaus. A narrativa combina números musicais e depoimentos sobre diferentes tipos de violência. Assim, propõe ao público um debate sobre as vivências LGBTQIAPN+.

O título faz referência a São Sebastião. A montagem apresenta uma versão da história do santo, associando-o ao posto de patrono da comunidade. A classificação indicativa é de 16 anos.

“A linguagem de ‘Sebastião’ é para adultos, teatro musicado, de denúncia, ao mesmo tempo o contexto de um bar onde se narra o mito de Sebastião, fala sobre homossexualidade e as dores que Sebastião viveu e se tornou mártir e, que até hoje, na contemporaneidade, ainda continuamos vivendo. São temas muito sensíveis”, afirma Taciano Soares, que divide a direção da companhia e do espetáculo com Eric Lima.

Elenco e inspiração literária

No elenco estão Taciano Soares, Eric Lima, Francis Madson, Andiy, Elias De Freitas e Jorge Sabóia. Eles interpretam drag queens que narram histórias inspiradas no livro “Um Bar Chamado Patrícia”, do estilista Bosco Fonseca.

O Bar Patrícia funcionava na avenida Constantino Nery, em Manaus. O proprietário era o boliviano Alonso Puertas, amigo pessoal do autor. O espaço tinha decoração assinada pelo artista e decorador Roberto Carreira.

“É uma honra apresentar esse espetáculo, narrar as histórias dessas pessoas, que são sobreviventes, drag queens dos anos 70 em plena ditadura militar, que existiram no Bar Patrícia, lugar que existiu por dez anos e resistiu mesmo com toda truculência que a ditadura militar implantou no nosso país”, pontua Taciano Soares.

“Queremos agradecer porque, graças a essas pessoas, hoje podemos fazer teatro e falar sobre essas histórias com toda liberdade possível. O conservadorismo é difícil, existem as forças que dizem que nós não devemos viver, mas estamos aqui”, completa o artista.

Origem do espetáculo e enfrentamento à violência

Segundo Eric Lima, o desejo de criar “Sebastião” surgiu em 2021. Naquele ano, o grupo foi vítima de crimes de ódio, homofobia, sorofobia e racismo, entre outros ataques.

Ele explica que a presença de corpos gays afeminados dentro da Igreja de São Sebastião, com autorização dos responsáveis, somada à incompreensão sobre o videoclipe “Glowria”, gerou ataques de fiéis mais conservadores.

“A obra que foi criada para chamar atenção para essas questões se tornou vítima, então percebemos a necessidade e urgência do debate. Numa tentativa de elaborar uma outra nova forma de diálogo sobre este tema, o Ateliê 23 decidiu responder a todos os atos de violência como sabe melhor, através da arte”, comenta o ator que dá vida a Little Drag.

“Após intensos anos de trabalho, em 2024, encontramos espaço para criar o espetáculo, que une a motivação inicial com histórias de resistência de gays nos anos 70, os causos do Bar Patrícia, e ainda traz o diálogo com a teoria que adota São Sebastião como patrono da comunidade LGBTQIAPN+ e o tem como um mártir gay contemporâneo como afirma o historiador Richard Kaye”, detalha Eric Lima.

Circulação nacional

Desde a estreia, em novembro de 2024, “Sebastião” ganhou projeção nacional. Inicialmente, participou da Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília. Em seguida, integrou a programação do Festival de Curitiba 2025.

Além disso, passou pela Mostra Todos os Gêneros, no Itaú Cultural, em São Paulo. Posteriormente, encerrou a Mostra de Teatro Águas de Manaus e participou do #SouManaus Passo a Paço 2025. Ainda em 2025, esteve no Festival Joana Velha, no Mato Grosso.

Espetáculo premiado

Em outubro de 2025, o espetáculo venceu duas categorias da Mostra Competitiva Jurupari Adulto, no Festival de Teatro da Amazônia: “Melhor Som ou Trilha Sonora” e “Melhor Ator”, para Taciano Soares.

Além disso, recebeu indicações em “Melhor Espetáculo”, “Melhor Direção”, “Melhor Dramaturgia”, “Melhor Figurino”, “Melhor Visagismo/Maquiagem” e “Melhor Ator”, para Eric Lima.

Em novembro, “Sebastião” conquistou o prêmio de “Melhor Elenco” no Prêmio Cenym de Teatro Nacional 2025, concedido pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (ATEB). A companhia também concorreu em outras quatro categorias.

Essa é a segunda vez que o Ateliê 23 representa o Amazonas na premiação. Em 2023, venceu como “Melhor Companhia”, enquanto “Cabaré Chinelo” ganhou como “Melhor Figurino”.

Trilha sonora disponível nas plataformas

A trilha sonora de “Sebastião” está disponível nas plataformas de streaming. O repertório inclui as músicas “Toda La Noche”, “Baby Gay”, “Sou Todo Amor” e “Glowria”.

Atualmente, a banda conta com Marcelo Oliveira nos beats, Luana Aranha no baixo, Mady na guitarra e Bruno Rodriguez no teclado. Guilherme Bonates assinou a produção e direção musical ao lado de Eric Lima e Taciano Soares nas primeiras temporadas. Todos os integrantes participaram dos arranjos.

Ficha técnica e apoios

A dramaturgia é de Daphne Pompeu, Eric Lima e Taciano Soares. A assistência de direção é de Emily Danali e Andira Angeli. Lacruz atua na assistência de produção. A iluminação é de Lore Cavalcanti e Paulo Martins. A assessoria de imprensa é de Manuella Barros.

O projeto é realizado pelo Ateliê 23, com apoio do Itaú Cultural, por meio do Programa Rumos, do Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Ministério da Cultura, por meio da Funarte.

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