Manaus (AM) – Um documento com anotações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), revela a estratégia do Partido Liberal para as eleições de outubro de 2026 nos 26 estados e no Distrito Federal, incluindo o Amazonas. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

O material, intitulado “Situação nos Estados”, reúne rascunhos dos palanques estaduais. O senador imprimiu o documento e fez anotações à mão durante reunião na sede do PL, em Brasília, na terça-feira (24). O texto traz a divisão dos estados em ordem alfabética e possíveis nomes ao governo e ao Senado com apoio da legenda.

Amazonas aparece com críticas e possíveis articulações

No trecho sobre o Amazonas, Flávio cita a empresária Maria do Carmo Seffair como opção ao governo estadual. O governador Wilson Lima (União Brasil) também é citado no documento. A possível conversa entre o União Brasil, partido do governador, e o PL já havia sido ventilada nos bastidores, diante da hipótese de uma eventual aliança para as eleições.

Para o Senado, aparecem os nomes do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) e do senador Plínio Valério (PSDB-AM). A inclusão de Plínio chama atenção por ele integrar outra legenda, o que pode indicar eventual mudança partidária.

Ao lado das indicações, consta a anotação “conversar Sg. Salazar”, em referência ao vereador Sargento Salazar, sugerindo articulação local.

Nesta quinta-feira (26), integrantes do PL do Amazonas se reuniram com Flávio Bolsonaro. Participaram do encontro o presidente estadual da sigla, Alfredo Nascimento, o vereador Sargento Salazar, o deputado federal Capitão Alberto Neto, a deputada estadual Débora Menezes e a pré-candidata ao governo Maria do Carmo.

“Excelente reunião já para o planejamento da nossa pré-campanha no Amazonas. Vem coisa boa por aí”, escreveu Maria do Carmo em uma postagem no Instagram com fotos da reunião.

Articulações em outros estados

No topo do documento, Flávio anotou “ligar Tarcísio”, indicando prioridade em São Paulo e reforçando a estratégia de apoiar a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O PL também discute nomes ao Senado no estado, incluindo Guilherme Derrite e possíveis candidaturas internas.

No Rio de Janeiro, as anotações confirmam Douglas Ruas ao governo e Rogério Lisboa como vice, além de Cláudio Castro ao Senado. Em Minas Gerais, há registros de desconfiança em relação ao vice-governador Mateus Simões e menções a possíveis alternativas.

Na Bahia, o partido pretende dialogar com ACM Neto antes de fechar o palanque. No Rio Grande do Sul, o nome de Luciano Zucco aparece como candidato ao governo, com articulações envolvendo PP e Novo.

No Paraná, há indefinições entre Sergio Moro e Guto Silva para o governo. Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Distrito Federal e Santa Catarina também aparecem com observações estratégicas, disputas internas e possíveis alianças.

Após a divulgação das anotações, Flávio Bolsonaro afirmou que parte das informações foi interpretada de forma equivocada e negou que tenha havido pedido financeiro envolvendo o deputado Marcos Pollon, como sugerido em uma das anotações.

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