Manaus (AM) – Uma disputa comercial entre vizinhos pode ter sido a motivação para o assassinato do professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Davi Said Aidar, de 62 anos. De acordo com a polícia, a principal suspeita de mandar matar a vítima é a vizinha Juliana da Rocha Pacheco, que está foragida. Investigadores apontam que o crime teria sido motivado pela queda no movimento do bar da suspeita após o professor iniciar atividades semelhantes na região.
A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Amazonas durante coletiva realizada nesta quinta-feira (5), quando também foram apresentados os resultados da Operação Universitates, que prendeu quatro envolvidos no crime.
De acordo com as investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juliana mantinha um bar no ramal Água Branca, na Rodovia AM-010. Após a chegada do professor à região e o início de atividades semelhantes por parte dele, a suspeita teria passado a perceber queda no movimento e no faturamento do estabelecimento.
Segundo a polícia, a situação provocou uma série de desentendimentos entre os dois, incluindo ameaças feitas por Juliana contra o professor.
“Em determinado momento, Juliana procurou o sobrinho, Lucas, e determinou que ele matasse o professor. Ele chegou a perguntar se seria apenas para dar um susto, mas ela afirmou que queria a morte da vítima”, relatou o delegado Ricardo Cunha.
Suspeitos presos
Durante a operação, quatro homens foram presos suspeitos de participação no crime:
- Antônio Carlos Pinheiro Meireles, 41 anos, conhecido como “TK”, apontado como o executor;
- Emerson Sevalho de Souza, 26 anos;
- Lucas Santos de Freitas, 31 anos, conhecido como “Lucão” ou “Magrão”, apontado como mentor intelectual;
- Rafael Fernando de Paula Bahia, 28 anos.
De acordo com as investigações, Lucas é sobrinho da suspeita de mandar matar o professor e foi responsável por organizar a execução do homicídio.
Dívidas foram usadas para recrutar comparsas
Ainda segundo a polícia, Lucas atuava como agiota e usou dívidas que os envolvidos tinham com ele para convencê-los a participar do crime.
Antônio Carlos, apontado como autor dos disparos, devia cerca de R$ 150 e teria sido chamado para executar o assassinato. Rafael Fernando, responsável por conduzir a motocicleta usada na ação, tinha uma dívida aproximada de R$ 10 mil relacionada a um acidente com um carro emprestado por Lucas. Para ajudar a reduzir o valor, ele aceitou participar da ação por R$ 1 mil.
Já Emerson, que prestou apoio logístico, devia cerca de R$ 200 e recebeu a promessa de R$ 100 para colaborar, mas teria recebido apenas R$ 50.
Como o crime aconteceu
O assassinato ocorreu na noite de 6 de fevereiro de 2026, em um bar mantido pela vítima no ramal Água Branca.
Segundo a investigação, três homens chegaram ao local em uma motocicleta. Dois desceram do veículo e Antônio Carlos efetuou 14 disparos de arma de fogo contra o professor.
Sete tiros atingiram a vítima, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Três dias antes do crime, Lucas e Antônio Carlos teriam ido até o ramal para observar a rotina da vítima e planejar a execução.
No dia do homicídio, a polícia aponta que Juliana entregou uma bolsa a Lucas. Dentro dela estava a arma de fogo utilizada no assassinato, enrolada em uma camisa.
Prisões dos envolvidos
Lucas foi preso no dia 25 de fevereiro, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus.
Antônio Carlos foi preso na terça-feira (3), no bairro Novo Aleixo. Rafael Fernando também foi detido no mesmo dia, no bairro Colônia Terra Nova.
Emerson foi preso na quarta-feira (4), também na Colônia Terra Nova.
Antecedentes e acusações
De acordo com a polícia, Antônio Carlos já havia sido condenado anteriormente por homicídio e chegou a cumprir cerca de 16 anos de prisão. Os demais investigados não possuem antecedentes relevantes.
Todos irão responder por homicídio qualificado e associação criminosa e permanecem à disposição da Justiça.
A suspeita de ser a mandante do crime segue sendo procurada pela polícia.
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