O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, refletiu sobre a possibilidade de ter a “honra de tomar Cuba” na segunda-feira (17), mesmo dia em que a rede elétrica da ilha comunista sofreu seu primeiro colapso em todo o país desde que os EUA efetivamente interromperam o fornecimento de petróleo.
“Sabe, a vida toda ouvi falar sobre os Estados Unidos e Cuba. Quando os Estados Unidos terão a honra de tomar Cuba? Seria uma grande honra”, disse Trump em um pronunciamento no Salão Oval. “Tomar Cuba de alguma forma, sim, tomar Cuba… quero dizer, seja libertando-a, tomando-a… acho que posso fazer o que quiser com ela.”
Questionado se uma operação militar dos EUA em Cuba seria semelhante à captura de Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro ou se se assemelharia mais ao conflito militar contínuo dos Estados Unidos com o Irã, Trump respondeu aos repórteres: “Não posso dizer isso”.
Apagão atinge Cuba e recuperação é lenta
Os comentários de Trump ocorreram enquanto Cuba era novamente mergulhada na escuridão devido a uma falha de energia. Não foram detectadas falhas nas unidades elétricas que operavam no momento do colapso da rede elétrica cubana, informou a operadora estatal da rede na segunda-feira (16), acrescentando que trabalhava para restabelecer a energia em todo o país.
Na manhã desta terça-feira (17), a energia havia retornado a algumas partes de Havana. No entanto, a maior parte da capital permanecia sem eletricidade. O serviço também foi restabelecido nas regiões oeste e centro-leste da ilha após a religação de algumas usinas. Ainda assim, a recuperação segue lenta, como é típico em apagões dessa magnitude.
Quedas de energia em todo o país têm sido relatadas com frequência nos últimos anos. Autoridades cubanas atribuem esses apagões às sanções econômicas dos EUA. Por outro lado, críticos apontam a falta de investimento no precário sistema de geração de energia.
Crise energética agrava economia e afeta população
Cuba, uma nação de aproximadamente 10 milhões de habitantes, depende fortemente do petróleo para gerar eletricidade. O bloqueio efetivo imposto por Washington ao fornecimento de combustível agravou a crise energética do país. Como resultado, aumentaram os cortes de energia, o racionamento de suprimentos médicos e a queda no turismo, segundo autoridades.
Os preços dos combustíveis dispararam. A gasolina pode chegar a custar US$ 9 (R$ 46) o litro no mercado paralelo. Isso significa que encher o tanque de um carro ultrapassa US$ 300 (R$ 1.555), valor superior ao que a maioria dos cubanos ganha em um ano.
A CNN entrou em contato com a Casa Branca para obter um posicionamento.
Governo cubano critica sanções dos EUA
“As autoridades do governo dos EUA devem estar muito satisfeitas com o prejuízo causado a todas as famílias cubanas”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, em resposta ao apagão de segunda-feira.
Miguel, anfitrião do Airbnb na cidade de Varadero, afirmou à CNN que a cidade geralmente não sofre com apagões, mas que desta vez também foi afetada devido à dimensão da falha.
Dayana Machin, moradora de Havana, disse à Reuters que o último apagão não a surpreendeu e que os civis devem se preparar “com fogões a lenha, painéis solares para quem puder instalá-los, reservas de água para quem tiver problemas com o abastecimento e reservas de gás para quem tiver”.
O músico Lázaro Caron afirmou que o apagão afetará seu trabalho, mas reconheceu que “não há nada que possamos fazer a não ser encarar a situação e seguir em frente, para ver o que acontece”.
Protestos e medidas emergenciais
No sábado, moradores da cidade de Morón, no centro de Cuba, foram às ruas protestar contra os problemas no fornecimento de energia elétrica e no acesso a alimentos.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na sexta-feira que nenhum petróleo foi entregue à ilha nos últimos três meses. Ele também declarou que autoridades cubanas mantiveram conversas com os Estados Unidos para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”.
“O impacto (do bloqueio) é tremendo. Ele se manifesta de forma mais brutal nessas questões energéticas”, disse o presidente. “Isso causa angústia na população.”
Em resposta à crise, o governo anunciou medidas emergenciais, como a redução do horário escolar, o adiamento de eventos esportivos e culturais e o corte de serviços de transporte.
Impactos no cotidiano e na economia
Muitos hospitais públicos reduziram seus serviços. Além disso, a falta de combustível e de caminhões de lixo fez com que resíduos se acumulassem em bairros inteiros.
Em Havana, as noites têm sido marcadas pela escuridão quase total, o que torna as estrelas visíveis em grande parte da cidade.
A venda de combustível em postos administrados pelo governo está bastante restrita. Apenas turistas, diplomatas e cubanos com agendamento conseguem abastecer, geralmente após longas horas de espera.
Dados recentes apontam queda acentuada no tráfego de internet no país. Segundo Doug Madory, diretor da empresa Kentik, “Na última medição, Cuba está com apenas um terço do seu volume normal de tráfego neste horário”.
Voos cancelados e pressão internacional
Companhias aéreas de diversos países cancelaram voos para Cuba devido à escassez de combustível e outros fatores de insegurança. American Airlines, Delta e JetBlue suspenderam serviços para a ilha.
A Air Canada também anunciou a suspensão de voos, com paralisação prevista até 1º de novembro.
Na semana passada, Trump afirmou que Cuba está em “sérios apuros” e que os Estados Unidos podem ou não participar de uma “tomada amigável” do poder no país. “Eles estão, como se diz, sem recursos”, declarou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou essa posição ao afirmar que Cuba precisa de uma nova liderança. “Eley estão em grandes apuros, e as pessoas no poder não sabem como resolver a situação, então precisam de novas pessoas no comando”, disse.
Tensões aumentam com embargo e petróleo
Rubio foi questionado sobre o possível alívio do embargo comercial contra Cuba, mas não comentou diretamente o tema. Segundo ele, a questão está ligada à mudança política na ilha.
Os Estados Unidos interromperam o fornecimento de petróleo da Venezuela para Cuba após a operação militar para depor Nicolás Maduro no início de janeiro. Posteriormente, ameaçaram impor tarifas a países que exportam petróleo para a ilha, alegando que Havana representa uma “ameaça extraordinária”.
Cuba rejeitou a acusação e pediu aos EUA que aliviem a campanha de pressão econômica.
(*) Com informações da CNN Brasil
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