A deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos), Procuradora Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), levou ao debate internacional da 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), da Organização das Nações Unidas (ONU), um tema essencial: a necessidade de políticas públicas que considerem as desigualdades regionais e geográficas da Amazônia.

Durante sua participação no encontro, que acontece no período de 9 a 19 de março, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e que reúne lideranças de diversos países para discutir igualdade de gênero e acesso a direitos, a parlamentar chamou atenção para os desafios enfrentados por mulheres que vivem em áreas isoladas do Amazonas.

“Eu venho da Amazônia brasileira, um local com muita diversidade, mas também com uma realidade de profunda desigualdade. No meu estado, há mulheres que levam até três dias para chegar à sede de um município”, afirmou.

Realidade amazônica no centro do debate

Alessandra destacou que a discussão sobre direitos das mulheres precisa levar em consideração não apenas fatores como gênero, raça e pobreza, mas também as condições geográficas que dificultam o acesso a serviços públicos.

Segundo ela, a realidade das mulheres negras, indígenas e ribeirinhas exige soluções específicas, pensadas a partir das particularidades da região amazônica.

“A gente precisa levar em consideração a questão geográfica e regional. As mulheres da Amazônia enfrentam, além de tudo que já foi colocado aqui, o desafio das distâncias”, ressaltou.

Exemplo prático: dignidade menstrual

Como contribuição concreta ao debate, a deputada apresentou a experiência do Amazonas na implementação de políticas públicas voltadas à dignidade menstrual – uma das bandeiras do seu mandato.

Alessandra relembrou que, em 2021, criou a lei estadual que garante a distribuição gratuita de absorventes higiênicos para mulheres em situação de vulnerabilidade. No entanto, alertou para as dificuldades de acesso quando políticas nacionais não consideram as especificidades regionais.

“Quando a política federal passou a distribuir absorventes por meio das farmácias populares, surgiu um desafio: no Amazonas inteiro, apenas 13 municípios têm esse tipo de unidade. Como essas mulheres vão acessar esse direito?”, questionou.

A parlamentar explicou que, no estado, a estratégia envolve a atuação conjunta com as áreas de saúde e educação para garantir que os itens cheguem às regiões mais distantes.

Voz da Amazônia no cenário internacional
Para Alessandra Campelo, levar essa realidade ao debate global é fundamental para a construção de políticas públicas mais justas e eficazes.

“Cada região do mundo tem sua realidade. A minha contribuição aqui é lembrar que a Amazônia tem dimensões continentais e que as mulheres enfrentam desafios únicos. Se isso não for considerado, muitas políticas não chegam a quem mais precisa”, afirmou.

A participação da deputada no evento reforça o papel do Amazonas no debate internacional sobre direitos das mulheres e evidencia a importância da presença de lideranças da Região Norte na construção de soluções globais.

(*) Com informações da assessoria