O prefeito de Manaus, David Almeida, iniciou nesta segunda-feira (23) a implantação da primeira vitrine tecnológica do café no quilômetro 21 da BR-174, no ramal da Cooperativa, zona rural da capital. A ação faz parte do programa “Manaus + Agro”, da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), e marca o início de uma nova cadeia produtiva voltada à agricultura familiar. Assim, o setor primário passa a ser uma alternativa econômica complementar à Zona Franca de Manaus.
Durante a agenda, o prefeito realizou o plantio da primeira muda de café, simbolizando o início da produção estruturada com base técnica e alinhada às diretrizes da Embrapa.
“O café é uma commodity e nós precisamos avançar em alternativas, além da Zona Franca. Aqui nasce uma nova cultura produtiva para o Amazonas”, afirmou David Almeida.
Laboratório prático para agricultores
A vitrine tecnológica funciona como unidade de aprendizado prático, onde os agricultores recebem orientação sobre preparo do solo, correção, adubação, implantação e manejo da cultura. O modelo prioriza a capacitação antes do fomento, aumentando a eficiência do investimento público e reduzindo riscos produtivos.
“Isso aqui funciona como um laboratório. O produtor aprende na prática com a nossa equipe técnica para produzir mais, colher mais e faturar mais”, destacou o prefeito.
Além disso, o café integra uma cadeia global de alto valor e passa a ser incentivado como eixo de diversificação produtiva em Manaus. A estratégia municipal busca ampliar a matriz econômica, hoje centrada na indústria, incorporando a agricultura como vetor de geração de renda e desenvolvimento sustentável.
Culturas consorciadas geram renda imediata
Como o café leva entre um ano e meio a dois anos para produzir, a prefeitura adotou o consórcio com culturas de ciclo curto. Durante a inauguração, foram entregues sementes de milho, coentro, couve, jerimum, quiabo e maxixe, com colheitas previstas entre 60 e 100 dias.
“Enquanto o café se desenvolve, o produtor já pode gerar renda com outras culturas. Esse é um modelo completo, que garante retorno desde o início”, explicou o prefeito.
Além dos insumos, a prefeitura atua com mecanização, assistência técnica e estruturação de mercado, incluindo o escoamento via merenda escolar e feiras municipais.
Expansão do projeto e impacto econômico
O projeto começará com áreas-piloto e será expandido para outras regiões da zona rural, incluindo áreas ao longo da AM-010 e do entorno do Brasileirinho. A iniciativa prevê oito vitrines tecnológicas e segue critérios técnicos e ambientais, utilizando áreas já antropizadas.
O secretário da Semacc, Wanderson Costa, destacou o potencial econômico da ação:
“O café é uma commodity que gera valor e nós estamos estruturando essa cadeia com base técnica e planejamento, com capacidade de ganhar escala e alcançar novos mercados”, afirmou.
A subsecretária de Agricultura, Meyb Seixas, ressaltou o diferencial do modelo:
“Antes do fomento, vem o aprendizado. Isso aumenta a eficiência do recurso público e a chance de sucesso da produção”, disse.
Manaus como referência em diversificação produtiva
O prefeito também projetou os impactos do projeto:
“Deu certo com a pitaya e vai dar certo com o café. Nós vamos levar esse modelo para o restante do Amazonas e, depois, para o Brasil”, afirmou.
A iniciativa consolida uma estratégia de diversificação econômica baseada em capacitação, baixo custo e escalabilidade, posicionando Manaus para ampliar sua participação em cadeias produtivas nacionais e reduzir a dependência exclusiva da Zona Franca.
Leia mais:
