O Exército de Israel afirmou nesta terça-feira (31) que está preparado para mais semanas de combates na guerra contra o Irã. A declaração ocorre um dia após o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciar que já alcançou mais da metade de seus objetivos.

Em entrevista à emissora americana Newsmax na segunda-feira (30), o premiê evitou falar em prazos.

Durante uma conversa online com jornalistas, o porta-voz das Forças Armadas, Nadav Shoshani, afirmou nesta terça que as decisões sobre o cronograma cabem ao comando político. “Estamos preparados para continuar operando por semanas”, disse. “Temos os alvos para isso, a munição para isso, o efetivo para isso. E cabe à liderança decidir isso.”

EUA apontam dias decisivos no conflito

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (31) que os próximos dias serão decisivos. “O Irã sabe disso e praticamente não há nada que possa fazer militarmente a respeito”, declarou.

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que retaliou. Desde então, o conflito se espalhou pela região. Inicialmente, o presidente Donald Trump afirmou que a operação duraria de quatro a seis semanas.

Já o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse na segunda-feira que o conflito deve se estender por “mais algumas semanas”, não meses, diante da crescente oposição da opinião pública e da alta dos preços do petróleo.

Ataques e retaliações ampliam tensão no Oriente Médio

Enquanto isso, Teerã manteve a retaliação ao lançar mísseis contra países do Golfo. Ao mesmo tempo, a capital iraniana foi alvo de explosões após ameaças de Donald Trump de atingir centros estratégicos, como instalações de exportação de petróleo e usinas de energia.

O Exército israelense afirmou ter interceptado mísseis disparados de Teerã. Por outro lado, a imprensa iraniana relatou novas explosões que provocaram apagões em várias áreas da cidade.

Antes dos bombardeios, Israel publicou um alerta na rede social X, informando moradores da zona oeste de Teerã sobre ataques a “infraestrutura militar”. Autoridades iranianas confirmaram ofensivas contra “locais militares”, sem detalhar as localizações.

Conflito atinge países do Golfo e rotas do petróleo

Em Dubai, quatro pessoas ficaram feridas por destroços de projéteis interceptados. Além disso, um ataque iraniano provocou um incêndio em um navio petroleiro kuwaitiano no porto da cidade, segundo autoridades locais.

Na Arábia Saudita, autoridades afirmaram ter interceptado oito mísseis balísticos, poucas horas após um apelo diplomático iraniano para a retirada de forças americanas da região.

Donald Trump advertiu que, caso o Irã não firme um acordo para encerrar a guerra — incluindo a reabertura do Estreito de Hormuz —, os Estados Unidos poderão intensificar os ataques à infraestrutura energética iraniana.

Estreito de Hormuz vira ponto central da crise

O Estreito de Hormuz tornou-se um dos principais focos da crise. Por ali passa cerca de um quinto de todo o petróleo global.

Segundo o Wall Street Journal, Trump também indicou a assessores que poderia encerrar a guerra mesmo com restrições parciais à passagem no estreito, o que ampliaria o controle iraniano sobre a rota.

Além disso, um comitê do Parlamento iraniano votou para impor pedágios a embarcações e até proibir navios dos Estados Unidos e de Israel. Em resposta, Marco Rubio mencionou a possível formação de uma “coalizão” internacional para enfrentar a medida.

Impacto global e cenário incerto

Diante desse cenário, o conflito segue sem previsão de término e com impactos diretos na economia global, especialmente no mercado de energia. Assim, a escalada militar e as decisões políticas nas próximas semanas devem definir os rumos da guerra e seus efeitos no cenário internacional.

(*) Com informações da Folha de São Paulo

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