O mês de abril começa com um importante chamado à conscientização e à inclusão. O Abril Azul, iniciativa promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), dar visibilidade à causa e incentivar uma convivência mais empática e livre de preconceitos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo estão dentro do espectro autista.

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a programação alusiva ao mês teve início nesta terça-feira (1º), no espelho d’água da Casa marcando oficialmente o começo das ações de sensibilização sobre inclusão e respeito à neurodiversidade.

A mobilização ocorre em um momento simbólico para a Aleam, que consolida o Centro de Inclusão Sensorial Dr. Hamilton Cidade como uma das principais iniciativas voltadas ao atendimento de crianças neurodivergentes e ao acolhimento de famílias atípicas no Amazonas.

Inaugurado em dezembro de 2025 pelo presidente da Casa, deputado Roberto Cidade (União Brasil), o espaço foi criado com a proposta de transformar o cuidado com crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Desde então, vem ampliando seus serviços e se firmando como referência em inclusão no Legislativo brasileiro.

Pai atípico, o parlamentar destacou o caráter pioneiro da iniciativa e o compromisso com as famílias. “Este espaço representa cuidado, inclusão e dignidade para quem mais precisa”, afirmou.

Atendimento especializado e multidisciplinar

Integrado à Diretoria de Saúde, o centro complementa os atendimentos do Centro de Saúde Carlos Avelino. A estrutura tem capacidade para atender até 250 crianças de até 14 anos com TEA, TDAH, Síndrome de Down e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, com cerca de 24 profissionais, incluindo psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, fonoaudiólogos, dentistas e clínicos gerais.

Antes do início das terapias, todas as crianças passam por avaliação completa, permitindo a elaboração de planos individualizados. Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Acolhimento que transforma rotinas

Para muitas famílias, o impacto vai além do acompanhamento clínico, promovendo mudanças reais no cotidiano. Servidor da Aleam, Isnaldo Araújo Brito, pai de uma criança autista de 8 anos, relata que os primeiros sinais surgiram ainda nos primeiros meses de vida. Após exames e consultas, veio a confirmação do diagnóstico.

Segundo ele, o Centro trouxe segurança e avanços importantes no desenvolvimento do filho. “Hoje ele se sente acolhido, feliz e mais desenvolvido emocionalmente”, destacou.

Relato semelhante é o de Samira Aline Ferreira da Silva, que percebeu evolução significativa na comunicação do filho após o início do acompanhamento. “Hoje consigo me comunicar melhor com ele, que fica muito feliz em participar das atividades”, afirmou.

Ampliação gradual do acesso

Desde a inauguração, o atendimento vem sendo ampliado de forma progressiva. Inicialmente voltado a dependentes de servidores da Aleam, o serviço deve incluir, gradualmente, terceirizados e público externo, mediante autorização da Mesa Diretora e triagem do serviço social.

A estratégia busca garantir organização e qualidade no atendimento, sem comprometer o acompanhamento individualizado.

Quase quatro meses após o início das atividades, o Centro de Inclusão Sensorial já é considerado um marco na política institucional da Aleam, ao reunir assistência em saúde, terapias e orientação familiar em um único espaço.

Mais do que oferecer atendimento, o local atua como rede de apoio, fortalecendo vínculos e promovendo um cuidado contínuo, essencial ao desenvolvimento de crianças neurodivergentes.

Ao iniciar o Abril Azul com ações concretas e resultados já percebidos pelas famílias, a Aleam reforça a principal mensagem da campanha: inclusão não é apenas discurso, mas prática diária construída com políticas públicas, acolhimento e respeito às diferenças.

O que é o TEA?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. Não há uma causa única definida — sendo resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais.