O Brasil é o segundo maior produtor mundial de malhas, segundo a Abit. Apesar da força nacional, empreender na indústria têxtil no Amazonas ainda exige superar desafios estruturais significativos.

Ada Pereira, CEO da Ponto da Camisa, detalha os principais obstáculos e estratégias adotadas para manter a competitividade na região.

“Existem vários desafios, entre eles, eu poderia citar a logística, que é um dos grandes fatores de encarecimento das nossas matérias-primas. Outro fator é a falta de mão de obra especializada, já que Manaus não é um polo têxtil. A mão de obra disponível no mercado é, em grande parte, caseira, ou seja, sem ritmo e boas práticas de produção em larga escala”, afirma Ada.

Logística e custo de produção

A distância dos grandes centros consumidores e fornecedores aumenta os custos e o tempo de produção. “Como é de conhecimento de muitos, o ‘isolamento’ geográfico que o Amazonas possui faz com que aumentem consideravelmente os custos de produção, além do tempo. Um transporte terrestre partindo de São Paulo chega a durar de 25 a 30 dias, o que pode piorar em épocas de chuva. O frete contribui significativamente para o custo elevado do produto”, detalha Ada.

Além disso, a carga tributária e a ausência de incentivos específicos para o setor comprometem a competitividade. “O Amazonas, por não ser um polo têxtil, não possui incentivos direcionados, como, por exemplo, alguns estados do Sul e Sudeste”, acrescenta a empresária.

Qualificação profissional como prioridade

A falta de mão de obra qualificada também prejudica a produtividade. “O Amazonas perde competitividade frente a outros estados brasileiros. A falta de mão de obra qualificada no segmento eleva os custos de produção”, explica Ada.

Ela reforça a importância do treinamento e desenvolvimento. “A mão de obra qualificada é escassa. É necessário formar essa mão de obra, pois é raro encontrar alguém pronto no mercado. Investir em treinamento e desenvolvimento é fundamental”, conclui.

Crédito e incentivos

O acesso a crédito e mecanismos de fomento ajuda a fortalecer o setor. “O Estado possui várias fontes de fomento, além de incentivo ao crédito. Podemos destacar, por exemplo, a Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) e o Basa (Banco da Amazônia)”, afirma Ada.

A Zona Franca de Manaus também é considerada essencial para a sobrevivência das empresas locais. “Os incentivos às indústrias como um todo, na Zona Franca de Manaus, são de suma importância. Dadas as dificuldades logísticas que enfrentamos, sem incentivos, as empresas da nossa região desapareceriam e os empregos ficariam escassos”, diz a CEO.

Estratégias para competir

Para superar os desafios, o Ponto da Camisa investe em planejamento, inovação e terceirização. “Podemos citar várias estratégias, como o domínio da logística de aquisição e distribuição; inovação constante no segmento; treinamento de mão de obra para qualificação; pesquisas de mercado frequentes; análise do ambiente externo para antecipação de possíveis problemas, entre outros”, detalha Ada.

A terceirização também apoia pequenos empreendedores. “Atuamos bastante como terceirizados. Pequenas e médias empresas podem contar com produtos à pronta entrega, com qualidade e preço justo, sem se preocuparem com logística, mão de obra, sazonalidades no mercado etc. O empreendedor foca principalmente no mercado, na venda de seus produtos, e o restante a gente oferece”, explica a empresária.

(*) Com informações da assessoria