Se nenhuma estrada da Amazônia tem governança, porque a BR 319 precisa ter?
Sem licença e sem governança, foi anunciado dia 31/03 pelo DNIT o processo licitatório para asfaltamento dos 400 Km do Trecho do Meio da rodovia. No mesmo dia, em Manaus, a Ministra Marina destacou a necessidade de “governança” para liberar a estrada.
Este conflito dentro do governo e as decisões controversas da justiça consolidam uma histórica realidade de desgovernança ambiental generalizada na Amazônia.
A operação Tamoiotatá 6 em Apuí, Canutama e Humaitá no Amazonas em março último até aplicou multas, que normalmente não são pagas, mas não conseguiu impedir o desmatamento. Em julho de 2025 foram 479 alertas do DETER/INPE na mesma região também sem impedimento de desmate.
Em Manaus, “às barbas” das sedes do IPAAM, do IBAMA, da PF, do MPE, do MPF, da PM Ambiental e do Exército, não tem sido possível impedir os crimes ambientais na Zona Leste e no Tarumã. Como impedir o crime no interior?
Pelo tamanho da Amazônia, o Brasil não consegue gerir o território, mesmo com tecnologia disponível.
Também não sabe sequer definir o marco temporal do que o país considera “futuras gerações” para poder quantificar o que legar.
Por este contexto ambiental, licença e governança para estradas são meras narrativas políticas.
Como ainda restam 85% de Amazônia, talvez os jovens de hoje encontrem a solução no futuro.
Os adultos de até agora falharam.

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