A proposta de criação de uma espécie de pedágio no Estreito de Hormuz se tornou a principal estratégia do Irã nas negociações de paz com os Estados Unidos. As conversas estão previstas para ocorrer neste sábado (11), em Islamabad.

A medida surgiu no primeiro dia do cessar-fogo de duas semanas entre os dois países. Na ocasião, a autoridade marítima iraniana divulgou uma diretriz da Guarda Revolucionária que altera o trânsito na região, responsável por escoar cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mercado global antes do conflito.

Nova regra impõe controle e cobrança

Segundo o Irã, os navios devem utilizar duas novas rotas em águas territoriais do país, passando pelas ilhas militarizadas de Qeshm e Larak. Além disso, as embarcações precisam informar a carga transportada e pagar uma taxa equivalente a US$ 1 por barril de petróleo.

O pagamento deverá ser feito em criptomoedas. A medida chama atenção por ocorrer em meio ao apoio do ex-presidente Donald Trump a esse tipo de transação.

Alegação de minas gera incerteza

O governo iraniano afirma que as rotas tradicionais, localizadas em águas internacionais, estão minadas. No entanto, sem a presença de navios especializados, não há confirmação independente da alegação, que contraria normas do direito marítimo internacional.

Em pronunciamento divulgado pela TV estatal, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que o país iniciará “uma nova fase de administração do estreito” e buscará “total reparação” pelos danos da guerra.

Tráfego marítimo despenca com tensão

Apesar do cessar-fogo, o fluxo de embarcações caiu drasticamente. Dados de monitoramento indicam que apenas cinco navios não energéticos e um petroleiro iraniano cruzaram o estreito nas primeiras 24 horas da trégua.

Antes do conflito, o número variava entre 100 e 130 embarcações por dia. Desde então, o volume caiu cerca de 90%, enquanto centenas de navios permanecem parados aguardando uma solução para a crise.

Conflitos paralelos afetam negociações

Embora o acordo inicial previsse a reabertura do estreito, novos ataques de Israel contra o grupo Hezbollah, no Líbano, levaram o Irã a interromper o tráfego marítimo.

Autoridades iranianas defendem a inclusão do Líbano no cessar-fogo, proposta rejeitada por Israel e pelos Estados Unidos. Ainda assim, surgiram sinais de possível diálogo entre israelenses e o governo libanês.

Comunidade internacional reage à medida

A proposta de pedágio recebeu críticas da União Europeia e de países do Golfo Pérsico, que consideram a medida ilegal e uma ameaça à livre navegação.

Além disso, o tema integra uma lista de exigências do Irã nas բանակցiações com os EUA. Entre os pontos mais sensíveis está o programa nuclear iraniano.

Programa nuclear segue como impasse

O governo iraniano reafirmou que não pretende abrir mão do enriquecimento de urânio, alegando fins pacíficos. O responsável pelo programa, Mohammad Eslami, declarou:

“Nenhuma lei ou pessoa irá nos impedir”.

Por outro lado, os Estados Unidos exigem o desmantelamento das ultracentrífugas. A posição deve ser reforçada pelo vice-presidente J. D. Vance, que liderará a delegação americana nas negociações em Islamabad.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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